Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Obras do Itaquerão correm risco de ser paralisadas

Odebrecht reluta em oferecer garantias bancárias e, por isso, Banco do Brasil não libera dinheiro de empréstimo. Paralisação da obra, porém, é improvável

Almir Leite e Vítor Marques, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - O Banco do Brasil não vai liberar um só centavo dos R$ 400 milhões da linha de crédito aprovada pelo BNDES para a construção do Itaquerão se a Odebrecht não der as garantias necessárias para concretizar a operação. No domingo, o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez levantou a possibilidade de parar as obras do estádio se o dinheiro não sair dentro de um mês, mas essa ameaça não vai mudar a posição do banco.

Andrés também se queixou, em entrevista à TV Gazeta, da não liberação da primeira remessa dos CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) por parte da Prefeitura de São Paulo. No total, serão emitidos R$ 420 milhões em CIDs, que serão negociados no mercado. A primeira emissão será de R$ 156 milhões. “Todo mundo sabe que o Corinthians dependia do financiamento do BNDES e da garantia sobre investimentos de melhorias para a zona leste para tocar a obra. Não saiu o financiamento, nem o pacote. Se não sair em um mês, a obra para”, afirmou Andrés.

Essa não é a primeira ameaça de paralisação da obra – que fechou fevereiro com 66,18% de execução – feita nos últimos meses. E, como em todas as ocasiões anteriores, não está sendo levada a sério nem mesmo dentro do Corinthians.

O Banco do Brasil, responsável por repassar o dinheiro da linha de crédito do BNDES a favor do estádio corintiano, também não perde tempo com tal possibilidade. Por meio de sua assessoria de imprensa, limita-se a informar que “a operação (de empréstimo) encontra-se aprovada. Outras informações sobre a operação estão protegidas por sigilo comercial.”

Nos bastidores, porém, é possível levantar detalhes sobre a não concretização da operação. O Estado conversou com duas pessoas que acompanham o processo e ambas garantem: se a Odebrecht não ceder e usar seu patrimônio, ou der uma garantia bancária, não vai ver a cor do dinheiro do Banco do Brasil.

O empréstimo está aprovado tanto pelo BNDES quanto pelo banco há cerca de oito meses. Sua contratação, no entanto, depende das garantias. “A construtora quer dar as receitas futuras da arena como garantia. Isso não é uma coisa real”, disse uma das pessoas ouvidas pelo Estado. “E se não der receita, como fica?’’

O outro interlocutor acrescentou que já foram feitas cinco ou seis propostas diferentes pela construtora e pelo clube, mas nenhuma contempla o que o banco quer e, acima de tudo, o que a lei exige. “Não está sendo pedido nada além do que se pede em operações desse tipo. A Odebrecht tem vários contratos com o BNDES, é excelente cliente e conhece muito bem as regras.’’

Para o Banco do Brasil, o ideal é que a Odebrecht ofereça as garantias. Possibilidades como dar como garantia os naming rights (direito de dar o nome) da arena podem até ser analisadas. O problema é que não há operações desse tipo no País e um contrato desses, firmado entre os administradores do estádio e a empresa que terá os naming rights, teria de ter “cláusulas draconianas de rompimento”. Do contrário, poderia representar prejuízo, e calote, para o banco.

Como esse contrato de naming rights deverá ser feito somente daqui a alguns meses – talvez apenas depois da conclusão da obra, prevista para 31 de dezembro –, essa hipótese é virtualmente inviável.

Para os que acompanham a negociação, o modelo estabelecido pela WTorre para a Arena Palestra, do Palmeiras, é considerado ideal – a empresa administrará o estádio por 30 anos e ficará responsável por pagar os empréstimos feitos. “A Odebrecht diz não querer administrar a arena do Corinthians, mas garante que vai arcar com o empréstimo caso o Corinthians não pague. Só que não coloca o patrimônio como garantia. Assim, fica inviável”, diz a fonte do Estado.

CIDs

Outro motivo de irritação para o Corinthians é a demora da liberação da primeira parcela dos CIDs. O clube foi informado que a Prefeitura faria a emissão dos títulos em 28 de fevereiro e isso não aconteceu. Então, na semana passada, ocorreu reunião do Conselho de Orientação (Cori) e ficou decidido que seria feita pressão tanto por causa da não emissão dos certificados quanto pela demora da chegada do dinheiro do BNDES. Mas nenhum conselheiro acredita na paralisação da obra.

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