Obras que não ficariam prontas foram tiradas da Matriz de Responsabilidades

Documento foi reformulado várias vezes, a última no segundo semestre do ano passado

Almir Leite, Elder Ogliari e Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2014 | 16h00

SÃO PAULO - Quando foi lançada, em janeiro de 2010, a Matriz de Responsabilidades previa 56 obras de mobilidade urbana nas 12 cidades-sede da Copa. Três anos e um mês depois, entre idas e vindas, inclusões e exclusões, restaram 41 projetos. Muitos dos que foram retirados eram intervenções grandes, que beneficiariam milhares de pessoas. Vários deles continuam a ser tocados, desvinculados do Mundial e sem prazo para finalização.

Em Manaus, o monotrilho Norte/Centro, obra com orçamento de R$ 1.307 bilhão, foi alvo do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas por suspeitas de várias irregularidades, como falhas no projeto e falta de estudos técnicos. O BRT do eixo Leste/Oeste (R$ 290,7 milhões) enfrentou questionamentos do Ministério Público.

Com isso, o tempo passou e tanto a prefeitura quanto o governo estadual acabaram por admitir que as obras não ficariam prontas para a Copa. Pediram a retirada dos projetos da Matriz, mas garantem eles que continuarão a ser tocados. Só não se arriscam a dizer quando serão concluídos. O resultado é que Manaus acabou sem obras de mobilidade relacionadas ao Mundial.

Salvador também desistiu de uma intervenção de vulto, o BRT que ligaria o aeroporto ao Acesso Norte. A obra, com 19km e orçada em R$ 567,7 milhões, nem chegou a sair do papel: foi substituída por um projeto para instalar, no mesmo lugar, uma linha de metrô complementar à que está em construção há 12 anos. Como o projeto ainda está na fase de estudos, foi retirado da Matriz de Responsabilidades.

A capital baiana acabou ficando com duas obras de pequeno impacto. E uma delas, a Rota de Pedestres – quatro acessos a pé da região do porto e de outros pontos históricos, como o Pelourinho, à Fonte Nova, que fica a cerca de um quilômetro do Centro – está atrasada e, com 30% de conclusão, pode não ficar pronta para a Copa.

 

RADICALIZAÇÃO

Porto Alegre radicalizou. Retirou nada menos do que dez obras de mobilidade da Matriz de Responsabilidades. São empreendimentos como corredores de ônibus, extensão de avenidas e três linhas de BRT. A decisão foi tomada em junho do ano passado, quando o governo municipal reconheceu que não conseguiria entregar as obras a tempo da Copa.

A justificativa para decisão tão drástica é curta e grossa: "São obras que saíram do papel graças à oportunidade da Copa, mas a maioria delas não é necessária no Mundial", alega o secretário de Gestão da prefeitura de Porto Alegre, Urbano Schmitt. "As que são importantes estarão prontas.’’

Essas obras importantes são a construção de três pequenas vias de acesso ao Beira-Rio (extensão total equivalente a uma quadra) e a pavimentação do entorno do estádio. Falta fazer uma das três ruas e a pavimentação ainda está em fase de licitação.

As obras excluídas continuam sendo tocadas, mas o governo não estabelece prazo de conclusão. Certo apenas é que Porto Alegre estará um canteiro de obras durante a Copa.

São Paulo retirou da Matriz o monotrilho da linha 17 Ouro depois que o Morumbi foi trocado pela Arena Corinthians como a sede paulista da Copa. O governo estadual entendeu que não teria sentido manter a intervenção ligada ao Mundial, mas as obras continuam.

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