Observador de Gana lembra passado e promete dar trabalho

Na partida entre Gana e Brasil, marcado para a próxima terça-feira, pelas oitavas-de-final, o veterano treinador de seleções de base de Gana, Sam Arday, terá uma oportunidade de vingança. Era ele quem comandava a seleção africana há dez anos, nas Olimpíadas de Atlanta, quando a seleção brasileira venceu a de Gana por 4 a 2, nas quartas-de-final, e eliminou os africanos da competição.Na ocasião, a seleção olímpica do Brasil contava, dentre outros jogadores, com o goleiro Dida, o lateral Roberto Carlos e o atacante Ronaldo, que marcou dois gols naquela partida. "Ah, do Ronaldo eu me lembro muito bem", afirmou Arday, neste domingo. "Nós estávamos vencendo por 2 a 1 e, de repente, houve uma cobrança rápida de uma falta e Ronaldo empatou o jogo. Eles acabaram ganhando, mas agora nós não vamos cometer os erros do passado".Naquele jogo de 1996 a equipe de Gana contava com o zagueiro Samuel Kuffour e com o goleiro Richard Kingston, reserva na ocasião. "Ficarei contente de vê-los todos juntos outra vez", disse Arday, que atualmente trabalha como o principal observador da seleção de Gana, e ficou responsável por analisar a equipe brasileira.Embora os jogadores do Brazil afirmem que temem o estado físico e o excesso de faltas dos atletas de Gana, os africanos se consideram "os brasileiros da Áfricas" e dizem que vão demonstrar isso durante a partida. "Quando começamos a crescer, acompanhando o futebol, nós copiamos os brasileiros e, agora, também somos mestres", ressaltou Arday. "Quando se joga uma partida aberta contra os brasileiros, nós nos sentimos à vontade".A seleção principal de Gana já venceu a Copa Africana de Nações em quatro oportunidades, e o Mundial sub-17 em duas ocasiões, em 1991 e 1995, época em que chegou a disputar quatro finais consecutivas. Em 1995, Gana venceu o Brasil na final do Mundial sub-17 realizado no Equador; mas, dois anos depois, foi derrotada na final pelos brasileiros, no torneio realizado no Egito.Experiente, Arday tem conselhos para o treinador Ratomir Dujkovic e os jogadores de Gana, para a partida da próxima terça, em Dortmund. "Quando se fica muito na defesa, os brasileiros vêm para cima, desmontam seu esquema e causam confusão. É importante ter posse de bola. E é importante ser muito rápido e ter sempre vantagem numérica de jogadores em cada jogada. Porque se ficarmos no um a um com eles, os brasileiros ainda nos superam. Assim, temos que jogar sem compaixão".

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