Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão
Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Ocupar espaços

Técnicos experientes ainda se destacam em grandes times. Os novos precisam firmar-se

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2018 | 04h00

Os brasileiros que restaram na corrida pelo título da Copa Libertadores estarão em ação neste meio de semana, todos com desafios fora de casa. O Grêmio visitou o Atlético Tucumán na terça-feira, o Palmeiras se apresenta quinta-feira em Santiago contra o Colo-Colo e o Cruzeiro tem a missão de segurar o Boca, nesta quarta-feira, em Buenos Aires. 

Além de serem fortes competidores e de já terem levantado o troféu, os três apresentam em comum o fato de serem guiados por treinadores experientes. Não se trata de coincidência, mas da constatação de que, na hora do aperto, ainda conta a rodagem do chefe como detalhe na caminhada para o sucesso. Clubes apostam no conhecimento deles, sobretudo nas etapas de afunilamento do torneio.

Os casos de Grêmio e Cruzeiro são mais significativos, pois Renato Gaú- cho e Mano Menezes estão nos cargos há mais de uma temporada – algo extraordinário por aqui –, e já conquistaram troféus. Felipão desembarcou para a terceira passagem no Palestra pouco depois do Mundial da Rússia. Nenhum se inclui no rol de nova geração tampouco em intermediária. Pelo histórico, são da turma “veterana”.

Por um lado, é normal que ocorra dessa maneira. Assim como na maioria das atividades, lastro e currículo contam – ou deveriam ter peso relevante nas escolhas. Grandes empreitadas são lideradas por profissionais tarimbados. Por outro – e especificamente no futebol–, preocupa, porque sinal de que a nova leva não se mostra no ponto. E no Brasil há carência de propostas e métodos avançados para chacoalhar a bolinha nossa de cada dia. 

Nomes de professores estão a ganhar espaço no mercado, num processo natural e cronológico; lei da vida. Mas na bucha, na lata, diga lá quem já merece levar o carimbo de aprovado? Pense rápido. O único que vem em mente é o de Fabio Carille, e com razão. Pegou um Corinthians desmantelado, e em um ano e meio deu três voltas olímpicas, com dois Paulistas e um Brasileiro. Amarrou o burro na sombra e, na primeira oportunidade, foi encher as burras de dinheiro no mundo árabe. E quem há de criticá-lo por tal opção?

Carille conduzia o Corinthians com certo equilíbrio na Libertadores deste ano, deixou-a a meio passo da fase de mata-mata. Nessa etapa entrou em cena o sucessor Osmar Loss e veio a eliminação nas oitavas, fora a queda acentuada na Série A. Pronto, ele perdeu o emprego de comandante alvinegro. 

Também na competição sul-americana não resistiram o Vasco (com Zé Ricardo), o Santos (com Jair Ventura) e o Flamengo (com Maurício Barbieri). Zé Ricardo trocou de casa e busca a sorte no oscilante Botafogo, Jair trata de recomeçar no Corinthians e Barbieri balança no rubro-negro. Zé Ricardo estava no Fla em 2017 e Jair no Bota. 

Ou seja, em pouco tempo mudaram de galho três vezes – e isso não é bom, não lhes permite continuidade e pode marcar a imagem deles. Pior, não se vislumbra frescor, exceto pela idade.

Rotatividade semelhante ocorre com Eduardo Baptista (de novo no Sport) e Alberto Valentim (deambulou por Palmeiras, Botafogo, passagem relâmpago no Egito e Vasco em menos de um ano). Roger Machado parece mais cauteloso e está em retiro, após a demissão no Palmeiras.

Tomara todos vinguem, por competência e inovação. Ganharão eles, os times que os empregarem e o futebol nacional. Precisam, no entanto, tomar cuidado para não queimarem etapas e se tornarem figurinhas fáceis e descartáveis, ou apagadores de incêndio, como tem acontecido com Dorival, Marcelo Oliveira, Carpegiani, para citar alguns famosos. 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.