Oferta do Palmeiras frustra Roth

Celso Roth pediu exatamente o dobro que o presidente Mustafá Contursi estava disposto a pagar. Para aceitar ser o treinador do Palmeiras, Roth quer R$ 80 mil e mais um multa se for mandado embora antes de dezembro. Mustafá, apostando no fato de o técnico estar desempregado, ofereceu R$ 40 mil, sem multa rescisória nenhuma.Enquanto a negociação seguia emperrada, o time se preparava para entrar em campo neste domingo, às 16h, contra a última colocada do Campeonato Paulista, a Inter de Limeira, com o coordenador Márcio Araújo de treinador. Em caso de nova derrota, as chances de classificação passam a ser remotas."Só tenho a dizer que as negociações não avançaram. Infelizmente é tudo o que posso falar. Me desculpe mas não posso falar muito ao telefone. Estou esperando uma ligação da Diretoria do Palmeiras", dizia Celso Roth, neste sábado, às 15h. A irritação do treinador está na diferença entre as propostas. Ele tinha certeza que seria fácil acertar com o clube paulista que está a quatro dias da estréia da Libertadores contra o Universidad do Chile. A sua certeza era tanta que chegou a falar sobre a reintegração de Argel à equipe e sobre a necessidade de renovação de contrato de Arce.Mas os dirigentes palmeirenses não gostaram do tom intransigente das primeiras conversas com Roth. A sorte do treinador escolhido é que tem o perfil considerado ideal para administrar o mimado grupo de jogadores. Mustafá já confidenciou a amigos que lamenta não poder contar com Luiz Felipe Scolari ou Wanderley Luxemburgo, dois dos treinadores com quem mais teve problemas. "Só que o time rendia e eu não precisava me preocupar tanto com os casos criados por jogadores", diz.Depois da reação negativa de Mustafá, Roth estava disposto a diminuir sua pedida. O motivo: não perder a oportunidade da ?vitrine?, como ele considera o futebol paulista. Disputar a Libertadores e o Mundial virou uma sonho para o treinador que, desempregado, foi fazer um período reciclagem de 13 dias na Europa. "A Libertadores e o Mundial são duas competições excelentes. Se puder disputá-las seria excelente até para a minha carreira."Mas se ele não baixar muito suas pretensões, será colocado de lado. O diretor de Futebol, Américo Faria, defende a contratação de Carlos Alberto Parreira. Mas conselheiros já convenceram Mustafá de que ele perderia o controle absoluto sobre o futebol se contratar Parreira. O ex-treinador da Seleção Brasileira é amigo íntimo de Faria há mais de 30 anos.Sem poder participar diretamente da contratação do novo treinador, o coordenador Márcio Araújo se viu obrigado a dirigir a equipe neste domingo contra a Inter de Limeira. Márcio assumiu o cargo interino com tanta contrariedade que neste sábado nem fez questão de acompanhar o treino recreativo. "Vou repetir o time que o Marco Aurélio montou. Não tenho por que mudar. Quero que o Palmeiras vença, mas a responsabilidade pela formação do time não é minha. As funções estão bem divididas. Estou rezando para chegar o novo técnico."Mesmo sem entrosamento, o time fará a estréia de Leonardo na zaga ao lado de Tiago Mathias. "Gostaria de estar fazendo minha primeira partida pelo Palmeiras com outro astral, mas preciso ser profissional e enfrentar a Inter de Limeira como se fosse o jogo mais importante da minha carreira. Estou ansioso demais para entrar em campo e mostrar por que fui contratado", dizia, empolgado, o zagueiro.Marcos também será a atração da partida. O goleiro voltará ao time depois de oito meses afastado por causa de uma operação no pulso esquerdo. O jogador falou o que manteve escondido por meses. "Estava preocupado com a continuidade da minha carreira. Os médicos disseram que só o jogador de basquete Isaiah Thomas fez a mesma operação que eu. E o contato com a bola é muito mais leve do que ficar defendendo chutes. Mas graças a Deus deu tudo certo. Só falta jogar e ajudar esse time a vencer."

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