Olhar eletrônico

A rodada teve atropelo do Santos sobre o Fluminense e a Ponte a travar a caminhada do Corinthians para o sexto título do Brasileiro. O domingo ainda contou com reação do Flamengo (2 a 0 no lanterna Joinville) e empate com o Avaí que dá ao Vasco esperança de salvação. Mas o episódio inusitado ocorreu no início da noite, em Chapecó, e mostra como seria interessante o futebol contar com ajuda eletrônica em certos lances capciosos.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2015 | 03h00

Você, leitor atento, provavelmente viu e reviu a cena nos debates dominicais. Mas permita contá-la para quem sintonizou no “Fantástico” ou no “Sílvio Santos” e não teve como acompanhar o episódio. 

A Chapecoense desde o início deitava e rolava pra cima do Palmeiras (horrível e merecedor da surra). Lá pelos 14 do primeiro tempo, William Barbio se mandou para a área, doido para aprontar. O lateral Egídio esticou-se todo, fez o corte e se chocou com o atacante. O juiz Jailson Freitas no ato apitou falta e deu vermelho para o palmeirense. 

Reclama daqui, conversa dali, pondera de lá, escuta acolá. Uma conferência danada. Cinco minutos mais tarde, Jailson acatou a informação do quarto árbitro, recuou na decisão, anulou a punição e chamou Egídio de volta do vestiário. Bola ao chão e vida que segue, apesar das reclamações do pessoal da casa. 

A arbitragem acertou, mas ficou a dúvida, quase certeza, de que uma alma caridosa, de fora do campo, repassou a dica de que não havia ocorrido nada de irregular na jogada. Em português simples: alguém viu na TV e tratou de contornar a mancada. (Jailson e bandeirinha por pouco não se enroscam no lance do terceiro gol da Chapecoense, ao baterem cabeça - um deu o gol de Túlio e outro não. Nova assembleia até a sentença definitiva.) 

Claro que não se vai admitir a interferência, pois ela é vetada pela Fifa. No entanto, eis mais uma das hipocrisias provocadas por anacronismo no futebol. As imagens da telinha informalmente têm sido usadas em vários episódios - lembra da cabeçada do Zidane no Materazzi na final da Copa de 2006? Sempre se disse que foi o anjo da guarda eletrônico que avisou o juiz da violência e levou à expulsão do francês. Mas ninguém assume o auxílio. 

Está mais do que na hora de os vetustos senhores que cuidam das regras do jogo cogitarem de render-se à tecnologia. No mínimo que se disponham a fazer testes em grandes competições. A polêmica faz parte do futebol? Muito bem, que lindo. Mas não custa nada dar uma força para a transparência. 

PEIXE ARREDIO

O Santos desembestou a jogar bem - e exagera na dose ao apresentar-se na Vila. Por lá não perde uma. A vítima recente da boa fase de Dorival Júnior e seus rapazes foi o Fluminense, com os 3 a 1, fora o baile da tarde de ontem. O Santos dominou do início ao fim, liquidou com o desafio em apenas 10 minutos, ao abrir vantagem de 2 a 0, e só não surrou por diferença maior porque errou em finalizações e esbarrou em boas defesa de Diego Cavalieri. Por ironia, o goleiro tricolor fez bobagem enorme no primeiro gol do clássico.

O Santos saltou para o G-4 da Série A e, mais do que isso, mostra força para as semifinais da Copa do Brasil. O São Paulo que se prepare, porque o desafio de parar os jovens e os veteranos santistas será imensa. 

BREQUE NO CORINTHIANS

A Ponte esteve a ponto de alcançar a proeza de bater o Corinthians, num jogo interessante disputado em Campinas. Tomou gol no final do primeiro tempo (Jadson), virou na segunda etapa (Elton e Diego Oliveira) e cedeu o empate aos 37 (Rodriguinho). 

A partida mostrou que a Ponte mantém a reação iniciada com as quatro vitórias em seguida obtidas até este domingo. Ao menos fica bem longe da zona do descenso, que frequentou durante muitas rodadas.

O Corinthians empacou, porém sustenta vantagem controlável sobre o Galo. Comportou-se bem na primeira parte, relaxou na segunda, mas jamais perdeu o autocontrole. 

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