Denis Balibouse / Reuters
Denis Balibouse / Reuters

Olheiros suíços revelam 15 atletas ao ano para a seleção

Pequeno país europeu aposta na base para formar gerações competitivas

Jamil Chade, enviado especial a Freienbach, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2018 | 07h00

A seleção helvética ficou fora das Copas entre 1970 e 2002, com exceção de 1994. Mas tudo mudou a partir de meados dos anos 90 quando os dirigentes decidiram concentrar suas atenções na formação de jovens. Uma vasta rede de olheiros foi criada para poder identificar os raros, mas certamente existentes, talentos numa população menor que a do Rio de Janeiro. “Somos um país pequeno e não podemos nos dar ao luxo de deixar passar um talento”, explicou um dos assessores da Associação Suíça de Futebol.

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Pelo sistema, 15 jogadores profissionais de qualidade devem ser formados a cada ano, a partir de uma base de 15 mil jovens que começam a ser acompanhados de perto desde os 12 anos. A Associação Suíça de Futebol delegou aos clubes a função de identificar os futuros craques e acompanhá-los com uma equipe profissional.

A partir de transferências de dinheiro da entidade aos clubes, jovens promissores de 14, 15 e 16 anos já recebem salários e, acima de tudo, orientação. “Há um acompanhamento de perto de todos os atletas que os clubes consideram ter algum tipo de potencial”, contou ao Estado o lateral e zagueiro Luis Puchol Del Pozo, garoto de 17 anos e que já conta com um contrato com o Servette, de Genebra, desde o ano passado. Além do apoio de psicólogos, os meninos já recebem uma ajuda de R$ 2,4 mil por mês.

Vice-campeão da Copa da Suíça sub-18, Luis já passou a ser alvo dos olheiros, que o colocam para jogar em categorias mais elevadas para permitir uma transição mais rápida do jogador. “Há uma estratégia comum em toda a Suíça sobre qual é a filosofia de jogo no país e isso vem desde as equipes jovens”, comentou.

A ofensiva ainda coincidiu com a chegada de uma nova onda de imigrantes africanos, sul-americanos e da região dos Bálcãs, que ajudaram a compor o “novo” time suíço. Já na Copa de 2014, a Suíça era a seleção com o maior número de estrangeiros e filhos de imigrantes: 21 dos 23 jogadores.

O sistema de monitoramento funcionou: a partir de 2006, a Suíça passou a se classificar para todos os Mundiais, inclusive com certa facilidade. Nas equipes de base, os títulos começaram a aparecer. Em 2002, ela venceu a Eurocopa sub-17. Em 2009, ela foi campeã mundial também sub-17. Em 2011, o time sub-21 foi vice-campeão europeu.

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