Olivetto: ?corintianização? da Argentina

"Não está acontecendo uma ?argentinização? do Corinthians. O que está acontecendo é uma ?corintianização? da Argentina." A frase, quase um conceito, é do publicitário e corintiano Washington Olivetto, para explicar a preferência da MSI, a parceira do clube, em contratar argentinos. Com a confirmação da chegada do técnico Daniel Passarella, o time do Parque São Jorge terá em suas fileiras cinco profissionais portenhos: três jogadores e dois membros da comissão técnica. Além de Tevez e Sebá, o volante Mascherano já teria acertado sua vinda ao Brasil para junho. Com Passarella veio o auxiliar Alejandro Sabella. Especialistas em marketing esportivo e em tendências do mercado publicitário vêem com bons olhos o processo encampado pelo endinheirado Kia Joorabchian, sobretudo no sentido de fortalecer a marca Corinthians fora do Brasil. "Do ponto de vista do marketing o que a MSI vem fazendo é positivo. O clube está na mídia o tempo todo e isso valoriza a marca", diz José Carlos Brunoro, da Brunoro Marketing Esportivo e um dos responsáveis pela parceria Palmeiras/Parmalat na década de 90. "Sobre a quantidade de argentinos no time, não acho que isso prejudica sua aceitação no mercado." A ?argentinização? do Corinthians, no entanto, é vista com cautela pelo professor e chefe do departamento de marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Ismael Rocha. O especialista diz que a aceitação dos argentinos no Parque dependerá muito do comportamento deles em campo. "Ocorre que o Corinthians tem 90 anos e sua imagem foi construída em cima de alguns aspectos, como dedicação, sofrimento, garra, gana. Não importa, porém, a nacionalização dos atletas que vestem sua camisa. O que vale é se eles estão dispostos a manter todas estas características." Para Rocha, o Corinthians é um clube bem posicionado no mercado. Quando se fala em Corinthians, todos já têm uma idéia do que seja. "Isso não pode mudar nunca." Para ele, tanto faz se os atletas são argentinos ou russos, o que o torcedor espera é um time competitivo e brigador, como sempre foi. A partir daí se dará ou não a aceitação do Corinthians portenho no mercado publicitário. Ismael Rocha lembra que o Morumbi recebeu 30 mil pessoas quando o argentino Tevez fez sua estréia. "Para o mercado é isso o que importa. A MSI e o senhor Kia Joorabchian estão montando um time, independentemente de quem atue, que leva o torcedor ao estádio", comenta. "Portanto, desse ponto de vista está sendo muito positivo." O professor da ESPM afirma que a fórmula do sucesso está menos ligada à exposição da equipe e de seus personagens e mais no envolvimento do torcedor ao trabalho. Parceiro de Washington Olivetto na W/Brasil, o são-paulino Rui Branquinho, diretor de criação da agência, não vê problemas na quantidade de argentinos no time paulista. "O corintiano não vai abandonar a equipe por causa das contratações de Tevez, Sebá ou Passarella. Há dirigentes que são odiados pelos torcedores e nem por isso o time fica abandonado." O diretor de criação da W/Brasil não vê no mercado um patrocinador que segure seus investimentos por causa da ?argentinização? do Corinthians. " Na verdade, como esse novo fenômeno, a Adidas pode estar apostando, por exemplo, em vender mais camisas da Argentina em São Paulo." Kia pensa em atravessar fronteiras com seu Corinthians. Suas iniciativas têm sido positivas na análise do especialista em marketing esportivo César Sbrighi. "A NBA começou a contratar atletas de outros países pensando em exportar o basquete dos EUA. Kia quer fazer um time representativo na América do Sul, quem sabe Latina. Como? Com os melhores e os melhores hoje estão na Argentina." O corintiano ficará orgulhoso de ter um time reconhecido fora do País - um projeto velho no Parque.

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