Francisco Seco/AP
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OPINIÃO: Brasil é um time comum, mas o trabalho não deve ser descartado

Neymar e toda a equipe precisam aprender com o fracasso em Copas do Mundo; já são dois desde 2014

Robson Morelli*, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 17h26

O Brasil está fora da Copa do Mundo da Rússia. Os 90 minutos contra a Bélgica em Kazan despiram a seleção de suas convicções e de tudo o que o time de Neymar fez até então. Cabeça baixa, cumprimentado pelos companheiros e pelos rivais, o próprio Neymar fracassa em sua segunda competição da Fifa. Não foi nem de longe o que o torcedor brasileiro esperava, apesar de todos saberem que o melhor jogador do Brasil chegou à Rússia após três meses parado por lesão e cirurgia. A derrota de 2 a 1 interrompe a retomada do futebol brasileiro após outro fracasso, quatro anos antes, em casa. Mas não se deve jogar tudo por terra, recomeçar do zero, entregar para o próximo ciclo terra arrasada.

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Por mais doído que possa parecer para o povo brasileiro, de cinco conquistas mundiais, a seleção brasileira é um time comum, feito tantos outros que desembarcam no país-sede para disputar a competição. O Brasil carrega consigo seus títulos, mas não consegue mais repetir os feitos do passado.

O Brasil em crescimento que Tite tanto pregou e que nós vimos de uma partida para outra, sem sobras, não deu conta de parar um geração belga em franca ascensão e euforia. Não é trabalho de dois anos. O Brasil perdeu porque também jogou mal, na defesa e no ataque. Nenhum de nossos jogadores brilharam individualmente. E nesse quesito todos os brasileiros lembram e recorrem a Neymar. Era ele que deveria fazer a diferença, recuperado que estava. Não fez. Suas jogadas foram comuns, longe da fama que carrega e do barulho que faz nas competições.

 

Neymar precisa aprender com o fracasso, e já são dois em Copas do Mundo, mesmo a despeito de não ter atuado contra a Alemanha em 2014. Estava machucado e já fora daquela competição. Neymar tem de aprender que os craques são aqueles que decidem jogos, que ganham partidas, que fazem a diferença de alguma forma. Ele não foi nada disso em Kazan contra os belgas. Só esses entram para a história. O Brasil parou nas quartas de final do Mundial, piorando seu desempenho se comparado com a edição passada, quando o time de Felipão foi eliminado na semifinal.

O Brasil correu demais atrás do resultado, passou a errar muitos passes e desperdiçou boas chances construídas, algumas delas com Jesus, Firmino e Philippe Coutinho. Erraram nas finalizações. A seleção brasileira era a última em campo a defender a tradição do futebol sul-americano, uma vez que horas antes o Uruguai havia sido derrotado pela França. A Copa da Rússia agora só tem seleções da Europa.

*ROBSON MORELLI É EDITOR DE ESPORTES DO ESTADO

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