Sérgio Moraes/Reuters
Sérgio Moraes/Reuters

Opinião de Valcke é decisiva para a manutenção de Curitiba como sede

Secretário-geral da Fifa era contra a exclusão da Arena da Baixada da Copa do Mundo de 2014

Almir Leite, enviado especial, O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2014 | 05h00

CURITIBA - A manutenção da Arena da Baixada na Copa do Mundo de 2014 foi resolvida de forma definitiva no início da tarde desta terça-feira, após uma manhã de muitas cobranças por parte dos representantes da Fifa sobre os responsáveis pelas obras.

Havia a favor do estádio alguns fatos: o rápido avanço da reforma nas últimas semanas, o cumprimento das principais exigências feitas pela Fifa e a posição do secretário-geral Jérôme Valcke, que era contra a retirada de Curitiba para evitar danos à imagem da organização. Mas técnicos das áreas de transmissão, tecnologia de informação e energia preferiam ver a Arena da Baixada fora da festa. E ainda havia o problema dos recursos necessários para financiar o restante da obra.

Esse foi um dos principais temas da reunião realizada pela manhã entre representantes da Fifa, liderados pelo consultor de arenas Charles Botta, o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, o presidente do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, e membros do governo estadual. A reunião deveria ser de meia hora e durou quase três vezes mais.

Por fim, ficou estabelecido que a garantia para os R$ 65 milhões que o Atlético estima precisar para concluir a arena será de responsabilidade do clube.

O pedido do empréstimo já foi feito pelo governo paranaense e os trâmites para a liberação do dinheiro estão em andamento. "Enquanto o dinheiro não é liberado, o governo estadual, por meio da Fomento Paraná (empresa criada para financiamento de projetos), vai fazer os repasses, que depois terão de ser ressarcidos. E os repasses serão feitos em partes, à medida em que as obras avançarem", disse o prefeito, à tarde.

Com a Fifa convencida quanto à engenharia financeira, restava a questão técnica. Botta, então, foi à Arena da Baixada para uma vistoria pormenorizada, que deveria ter a duração de uma hora e meia, mas que durou quase três horas. Após ter recebido explicações sobre o que será feito nas áreas de energia e transmissão, o consultor deu a Valcke o sinal verde para o estádio do Atlético.

A longa vistoria atrasou a ida de Petraglia, do secretário da Copa do Paraná, Mario Celso Cunha, e do secretário municipal da Copa de Curitiba, Reginaldo Cordeiro, para Florianópolis, onde participaram do anúncio da manutenção da Arena da Baixada no Mundial. Eles tiveram de ir de helicóptero e chegaram atrasados.

Para o prefeito de Curitiba, o anúncio significa o "fim da crise". "Mas nós ainda temos de trabalhar muito, por isso eu pedi a continuidade da comissão que avalia diariamente a obra." Essa, no entanto, também era uma exigência da Fifa. A comissão vai ficar no canteiro de obras até a conclusão da arena e sua entrega à entidade, o que deve acontecer em 15 de maio.

PROTESTO

Cerca de cem pessoas se reuniram no centro de Curitiba para protestar contra o Mundial. A manifestação foi pacífica e não houve incidentes.

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