DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Opinião: do tricampeão da América, o São Paulo só tem a nostalgia

Na noite eliminação mais vexatória do Tricolor em Libertadores, a torcida sonhou com um time do passado

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2019 | 04h30

A atmosfera até lembrou o Morumbi das noites gloriosas do São Paulo na Libertadores. Eram mais de 40 mil vozes cantando hino, empurrando, vibrando. Mas tirando o cenário, dentro de campo, a equipe que empatou por 0 a 0 com o Talleres-ARG foi um retato opaco e sem graça de um clube que disputou o torneio pela 19ª vez e saiu dele mais cedo do que nunca em toda a sua história.

Talvez, o fã mais otimista pudesse esperar que dos pés de Pablo viriam os gols que Palhinha, Muller, Amoroso e Luizão marcaram nas campanhas de 1992, 1993 e 2005, anos em que os são-paulinos levantaram a taça. Nada. Foram 47 minutos sem um chute sequer na direção da meta defendida por Herrera.

Ou que de da imprevisibilidade de Hernanes, mesmo em meio ao caos tático e limitado a chutões, nasceria a semente de uma virada épica, inesquecível. Mais ou menos como Raí, hoje o diretor de futebol do clube, fazia nos tempos em que vestia a 10 do São Paulo. Com a 15, o Profeta passou longe disso. Tentou a sua tradicional pedalada uma, duas, três vezes. Perdeu a parada até para o veterano Guiñazu, que, aos 40 anos, anulou-o completamente.

Também não havia um Rogério Ceni para cobrar uma falta certeira, um Lugano para, mesmo na raça, conduzir o time nas costas. Nem mesmo um dublê do incansável Mineiro. O que se viu no Morumbi foi o vazio: de ideias, de inspiração, de talento. E, ao fim de uma noite melancólica, com ares do que já foi o campeão da América, vaias e pedidos de “raça”.

De André Jardine, seria pedir demais para mostrar qualquer traço de Telê Santana, é verdade. Mas ao menos um momento “PauloAutuórico” poderia ter resultado no lampejo necessário para a reação. Quando o time voltou do intervalo sem alteração nenhuma, estava claro que nem ele tinha a menor ideia do que fazer para mudar o panorama do jogo.

Dado o silêncio do agora cartola Raí e do presidente Leco após a queda vergonhosa da última quarta, a grande verdade é que ninguém no Morumbi, além da torcida, sabia o que estava fazedo na noite da última quarta-feira no Cícero Pompeu de Toledo.

 

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