John Sibley/Reuters
John Sibley/Reuters

OPINIÃO: Marta nos enche de orgulho e nos mostra o tamanho do nosso fracasso

Eleita pela sexta vez a melhor jogadora do mundo, a brasileira do Orlando Pride (EUA) é a forma bem acabada da modalidade

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2018 | 17h23

A escolha de Marta como a melhor jogadora de futebol do mundo é motivo de orgulho e, ao mesmo tempo, de tristeza para os brasileiros. Orgulho porque Marta, uma brasileira de Alagoas, é o melhor do futebol feminino mundo pela sexta vez. Ela já havia recebido o prêmio da Fifa por cinco anos seguidos, de 2006 a 2010. Viveu uma lacuna longe das premiações, mas sempre lembrada entre as finalistas na categoria ou mensionada nas premiações anuais. É uma brasileira que jamais desistiu de seu sonho. Atualmente, defende o Orlando Pride, dos Estados Unidos, time que está na semifinal da Liga local, e, claro, a seleção brasileira. Marta foi abraçada pelas concorrentes e por uma legião de jogadores homens, brasileiros e estrangeiros, presentes na cerimônia da Fifa em Londres. "Estou sem palavras. É um momento fantástico. Isso representa muito para mim", disse, já chorando, como sempre.

E aí entra a parte triste da escolha de Marta. O Brasil trata o futebol feminino como lixo. A modalidade pipoca ali e acolá sem jamais se firmar no País e nos próprios clubes nacionais. Quem hoje investe no futebol feminino, amanhã, geralmente, fecha suas portas paras as meninas que amam e adoram jogar. Muitas meninas são obrigadas a atuar com meninos porque em suas cidades ou bairros ou clubes não há a modalidade para elas. Muitas vão embora.

A escolha de Marta, mais uma vez, mostra o fracasso de nossas entidades esportivas nesse sentido. Refiro-me às federações estaduais e à própria CBF. Passos são dados, mas nada que, de fato, seja relevante para o fortalecimento da modalidade. São passos lentos. Muitos para trás. Marta e alguns outros personagens do futebol feminino do Brasil merecem o nosso respeito por jamais terem desistido da bola.

Há público para futebol feminino, sem dúvida. Há patrocinadores. Há gente interessada na modalidade. Falta organização, falta espaço, inclusive na mídia, vontade de fazer acontecer. Há muitos discursos e poucas práticas e conquistas. Marta derruba tudo isso e nos mostra quem somos, nos mostra um caminho. Marta representa hoje o futebol brasileiro, masculino ou feminino, isso já não importa mais nos dias de hoje. 

 

 

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