Opositor de Farah ganha cargo na FPF

Não é difícil compreender como Eduardo José Farah reelegeu-se, pela quinta vez, presidente da Federação Paulista de Futebol. Além da legislação da entidade favorecer o dirigente, a maioria dos clubes está na dependência direta da FPF.E quando aparece alguém contrário às idéias de Farah, rapidamente o mesmo é colocado de outro lado. É o caso de Milton Cardoso, ex-presidente da Ferroviária, de Araraquara, e declarado opositor do dirigente. Além de desistir de registrar a chapa, ele jura ter queimado as assinaturas de quem o apoiava.A cena pitoresca teria acontecido à beira da Rodovia dos Bandeirantes, segunda-feira, perto da cidade de Jundiaí, bem antes de Farah ser aclamado na capital. "Deixei Jundiaí, parei o carro na Rodovia dos Bandeirantes, a uns 80 quilômetros de São Paulo, e queimei os papéis dos clubes e Ligas que assinaram comigo. Foi uma promessa que fiz. Não quero prejudicar ninguém, apenas ajudar o futebol."Cardoso garante que lutou para registrar a chapa até 13 horas de segunda-feira, quando esteve em Jundiaí. Conseguiu 35 adesões contra 140 de Eduardo José Farah. Sua chapa só não virou realidade porque não conseguiu mais três assinaturas de clubes participantes da Série A-1.A renúncia aos seus ideais e, até mesmo, à sua vaidade rendeu a Cardoso um cargo na nova diretoria. Ele vai assumir uma das cinco vagas do Conselho Fiscal da entidade e ainda tem a promessa do próprio presidente Farah de ser um dos vice-presidentes regionais do futebol de São Paulo, cargo que será criado em breve.O dirigente se acha um vitorioso. "Perdi a guerra, mas ganhei uma batalha. Vou ter uma cadeira de confiança para fiscalizar todo o trabalho desenvolvido em prol do futebol. Não mudei em nada minha forma de pensar e vou cobrar do Farah maior atenção aos clubes do Interior", discursou em tom de alegria.O curioso é que Cardoso chegou a se comparar ao candidato do Prona a deputado federal Enéas Carneiro. "Adotei a tática do Enéas. Se fosse candidato à presidência ele teria o quê? No máximo uns 2 milhões de votos. Agora, como deputado federal poderá ter muito mais. Comigo é a mesma coisa. Vou estar ao lado do Farah com a missão de ajudar o futebol do Interior. O cão e o gato vão trabalhar lado a lado", filosofou.

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