Amalia Candiotto
Amalia Candiotto

Crianças ainda choram a morte de seus pais em acidente da Chapecoense

Filhos tentam lidar com a dor da perda e mães sofrem com o sentimento de impotência diante da situação

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2017 | 16h59

A dor e as lembranças do dia 29 de novembro estão vivas. Talvez, ninguém tenha sofrido tanto quanto os filhos das vítimas do acidente, a maioria crianças, que convivem com a saudade e tentam entender o que aconteceu. O Estado foi em busca das famílias para saber como os órfãos de pai lidam com a ausência. As mães se sentem impotentes diante do sofrimento dos filhos e tentam encontrar uma forma de amenizar a dor deles. 

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“Ele fala várias vezes: ‘Mamãe, quero morrer para ver o papai’. Ele pergunta se o pai tem celular para ele falar que está com saudade e quer saber como Jesus o levou. Dói muito, pois eu queria protegê-lo desse sofrimento, do luto, mas não tem como”, conta Bárbara, viúva de Ananias e mãe de Enzo, de apenas seis anos. 

Ela lembra que Ananias era muito presente. Desde a tragédia, seu filho passa por uma terapeuta para tentar viver normalmente. “Ele sabe que não vai mais ver o pai, mas não entende muito bem o que aconteceu.” Bárbara deixa Enzo ver algumas notícias do acidente. “De vez em quando passam coisas na TV e eu não mudo de propósito, para ele saber lidar com a saudade e enfrentar a realidade.” Ela vive com o filho em Salvador. 

O pequeno Victorino, de 9 anos, filho do repórter da Fox Sports Victorino Chermont, passa pela fase da inconstância. “Tem dia que ele está tranquilo e em outros só chora”, explica Luciana Chermont, a mãe. Por causa da tragédia, o menino foi reprovado na 3.ª série do Ensino Fundamental, por não conseguir fazer as provas. “Ele ficou muito tempo sem falar com ninguém e não queria mais ter vínculo com as pessoas, por medo de perdê-las. Ele achava que elas iriam morrer também.”

Luciana o leva para a terapia e precisou mudar seus hábitos. “O Vito (apelido do filho) ia jogar bola e só chorava, já que futebol faz lembrar o pai. O professor da escolinha sugeriu que ele parasse de fazer as aulas, para não piorar”, conta. 

 

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