Giuseppe Cacace/ AFP
Giuseppe Cacace/ AFP

Organização diz que salários dos operários de estádio da Copa no Catar estão atrasados

De acordo com a Anistia Internacional, funcionários estão sem receber há meses

AFP, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2020 | 10h21

Operários estrangeiros que trabalham no Catar na construção de um estádio que será utilizado para a Copa do Mundo de 2022 estão há vários meses sem receber salários, informou nesta quinta-feira (noite de quarta, 10, no Brasil) a Anistia Internacional. De acordo com um levantamento da organização não governamental, cerca de cem trabalhadores do estádio Al Bayt não são pagos há vários meses.

Esses operários prestam serviço para a Qatar Meta Coats (QMC), uma empresa subcontratada para ajudar na construção desse complexo, localizado a 50 quilômetros ao norte de Doha. A inadimplência total é de sete meses, de acordo com a Anistia, que observou que alguns trabalhadores receberam um pagamento parcial em 7 de junho.

"Os problemas com os trabalhadores da QMC são bem conhecidos pelos organizadores da Copa do Mundo e pelo Ministério do Trabalho há quase um ano, mas o pagamento só começou quando a Anistia Internacional compartilhou as conclusões desta investigação", divulgou a ONG.

Muitos trabalhadores da QMC são do sudeste da Ásia ou da África. "Todos os dias pedimos, mas eles nos dizem que têm pouco dinheiro. Eles dizem que estão tentando fazer o que podem", disse à Anistia um empregado da QMC.

Em uma carta à Anistia, os organizadores do torneio do Catar indicaram que foram informados sobre os problemas com os salários em julho de 2019, depois que esse assunto foi levantado em entrevistas com assistentes sociais. "Desde então, trabalhamos para encontrar uma solução", anunciaram.

A QMC foi banida de outros projetos relacionados ao Mundial de 2022, e a empresa, com problemas financeiros, foi vendida recentemente para novos proprietários. As autoridades do Catar tomaram várias medidas para aumentar a proteção dos trabalhadores em seu país, incluindo a criação de um sistema eletrônico para detectar salários não pagos.

No entanto, sua eficácia tem sido questionada em vários casos revelados pela imprensa local relacionados a grandes empresas inadimplentes. Alguns trabalhadores entraram em greve - manifestação proibida por lei do Catar - em agosto de 2019 por salários não pagos. 

No mês passado, operários realizaram protestos nas ruas exigindo os pagamentos. Nos dois casos, que ganharam cobertura da mídia, as autoridades agiram para garantir salários e tomar medidas contra empregadores que não pagavam.

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