Arquivo/AE
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Organizadas vão à Assembleia para aprovação de projeto que defende a volta das bandeiras aos estádios

Votação está marcada para começar às 19h. Polícia Militar já se manifestou contrária à ideia

Fabio Serapião, estadão.com.br

24 de agosto de 2011 | 17h15

SÃO PAULO - Mesmo com o "voto" contrário da Polícia Militar, oprojeto de lei que prevê a volta das bandeiras com mastros aos estádios paulistas será votado a partir das 19h de hoje pela Assembleia Legislativa. Deputados favoráveis e contrários à proposta dão como certa a aprovação do projeto.

Como forma de pressionar os parlamentares, integrantes das torcidas organizadas dos principais clubes paulistas já ocupam a galeria do plenário da Assembleia, aguardando a votação. Desde 1995, as torcidas de São Paulo são impedidas de utilizar bandeiras com mastros de bambu ou qualquer outro tipo de material nos estádios.

"É preciso estabelecer a alegria que representa o tremular das bandeiras e o entusiasmo das torcidas organizadas, regulamentando o uso dos mastros de maneira responsável e não simplesmente proibindo-os, como estabeleceu uma lei de 1996", explica o deputado Ênio Tatto (PT), autor do projeto.

Os termos para regular a volta das bandeiras foi discutido pelos parlamentares com chefes das organizadas, integrantes do Ministério Público e da Federação Paulista de Futebol. Pelo projeto, será permitido às torcidas organizadas e cadastradas portar bandeiras com mastro de bambu ou produto similar durante as partidas oficiais de futebol, em locais devidamente especificados e delimitados pela FPF.

Os portadores de bandeiras também deverão ser cadastrados e em caso de utilização incorreta dos mesmos, punidos com afastamento dos estádios pelo prazo de um a cinco anos, além do pagamento de multa.

O CHOQUE É CONTRA

Na terça-feira (23), representantes da Tropa de Choque da PM foram à Assembleia e se posicionaram contra a liberação das bandeiras. De acordo com o deputado Fernando Capez (PSDB), autor da lei que proibiu as flâmulas, não compete ao Legislativo interferir nas questões que envolvem a segurança nas partidas de futebol.

"Somente a PM deve ter mobilidade para proibir ou liberar isso. Esses mastros podem ser usados como armas", justifica Capez.

Sobre a postura da PM, Capez afirmou que esteve com a comandante do 2º Batalhão de Choque, coronel Carlos Savioli, responsável pela análise do projeto de lei, e que, assim como ele, o coronel se coloca contrário a qualquer mudança na atual lei.

"Como o futebol é movido a paixão, não temos como controlar o uso dos mastros. Além da violência, eles podem ser utilizados para ocultar outros armas e drogas", salientou Capez.

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