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Orgulho da cidade, Chapecoense desafia clubes tradicionais

Uma dos motivos para a boa companha da Chapecoense no Brasileiro foi justamento o fato de a cidade ter "abraçado" o time

Raphael Ramos, enviado especial a Florianópolis, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2014 | 17h00

Nas ruas de Chapecó, o desfile de moradores com camisetas verdes aumentou nos últimos dias. Algumas trazem a frase “Orgulho por torcer para o clube da minha terra” nas costas. E de fato a população da cidade da região Oeste de Santa Catarina, distante quase 600 quilômetros da capital Florianópolis, está bastante orgulhosa. Se antes Chapecó era conhecida apenas pelos seus frigoríficos, agora o município também tem a Chapecoense, que desbancou clubes tradicionais na Série A e garantiu a sua permanência na elite do futebol brasileiro uma rodada antes do fim do campeonato.

Uma dos motivos para a boa companha da Chapecoense no Brasileiro foi justamento o fato de a cidade ter “abraçado” o time. Com média de 10.021 torcedores por jogo, o clube teve o melhor público entre os times catarinenses. Com capacidade para 22 mil torcedores, a Arena Condá teve média de ocupação de 44%, o que colocou o time à frente de Grêmio, Santos, Bahia e Botafogo. No seu “caldeirão”, a equipe goleou o poderoso Internacional por 5 a 0 e conquistou outras vitórias importantes diante de Palmeiras, Botafogo, Fluminense e Flamengo.

Fundada em 1973, a história da Chapecoense começou a mudar a partir de 2005. Com dívidas que somavam R$ 1,5 milhão – valor que pode parecer pouco para muitos clubes, mas que era considerado impagável pela Chapecoense –, a diretoria chegou a cogitar a possibilidade de fechar as portas. Um grupo de empresários da cidade, no entanto, se uniu para salvar o clube. Começou-se, então, a pensar a Chapecoense como uma empresa. Só se gastava o dinheiro que tinha em caixa e nem um centavo a mais.

A mudança de gestão não demorou para começar a dar resultado e em 2007 o time foi campeão estadual. “Fazemos um futebol diferente, sem loucura de salários, mas honrando os nossos compromissos rigorosamente em dia. Acho que é isso que está em falta no futebol brasileiro. Faltam dirigentes com responsabilidade. Tem muito presidente que quer ser campeão a qualquer custo e faz um monte de dívida. Esse é o grande mal do futebol brasileiro”, diz o presidente Sandro Luiz Pallaoro.

É por isso que na Chapecoense não craque. O elenco é homogêneo. “Nossa folha de pagamento é de R$ 1,5 milhão (no Corinthians, por exemplo, é R$ 8 milhões). Nós não temos condições de trazer jogadores para receber R$ 150 mil por mês. Se fizéssemos isso, iríamos quebrar o clube. Aqui não tem espaço para jogador medalhão. O cara já ganhou tudo. Qual seria a motivação dele na Chapecoense? Queremos jogador com ambição de crescer.”

A nova menina dos olhos da Chapecoense é o CT, inaugurado no último sábado. A estrutura ocupa uma área total de 83 mil metros quadrados e possui três campos oficiais e um anexo para as categorias de base, cinco vestiários, academia, sala de massagem, sala de fisioterapia, rouparia e cozinha. Antes da construção do CT, o time treinava em campos emprestados por empresários da região. Era comum jogadores se machucarem por causa do estado do gramado, muitas vezes duros e esburacados.

“Agora, a torcida pede um time para disputar vaga na Libertadores e eu digo que é preciso ter calma. O nosso orçamento deve aumentar 20% em 2015. Com isso, a folha vai para R$ 1,8 milhão. Ainda não dá para montar um time bom. O perigoso do futebol é a empolgação”, ensina o presidente, sempre comedido.  

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