Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Os melhores

Cristiano Ronaldo e Messi são hegemônicos no futebol mundial há uma década

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2017 | 03h00

O tema da crônica de hoje é a hegemonia de uma década de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi nas eleições de melhores do ano. Sejam elas quais forem, de onde venham, o português e o argentino sobressaem, engolem os outros; são papa-troféus insaciáveis. Uma extravagância. Mas, antes de entrar no assunto, o amigo leitor me permita uma digressão, que no fundo tem a ver com a nossa conversa. Uma pequena viagem no tempo.

O jornal que tem em mãos traz a relação dos destaques esportivos de 2017. Poderia ser mais uma das tantas listas do gênero, comuns nesta época – ou, melhor, que se tornaram onipresentes o tempo todo, em qualquer editoria. Esta, porém, é especial – sem falsa modéstia. Porque tradicional, anterior a modismos, consolidada como uma das mais importantes do País. E que completa sua 40.ª edição! Sim, senhor, desde 1978 é publicada pelo Estado. Salvo engano, só perde para a Bola de Prata, criada pela Placar em 1970 e que hoje está sob comando da ESPN.

Pois me permito revelar como surgiu, cresceu e se consolidou esta sondagem. A ideia despontou numa tarde, perto do final daquele ano, e que a memória agora me impede dizer com exatidão o dia. Tuca Pereira de Queiroz, então chefe de reportagem, e Luiz Carlos Ramos, editor de Esportes na época, falavam a respeito de fatos marcantes do ano e esboçaram colocá-los no papel, com a opinião de colegas. Este que escreve para vocês não passava de um “foca” (repórter iniciante) enxerido, meteu-se no papo e acrescentou algumas propostas, logo aceitas.

Na raça, um tanto no improviso, veio à luz a primeira versão da “Pesquisa”. No ano seguinte, mais bem elaborada, apontou Telê Santana como técnico de 1979. Teve tanto peso que influenciou Giulite Coutinho, presidente da CBF, a levá-lo para a seleção. Daí em diante, expandiu-se, teve amplo caráter nacional e era questão de honra jornalistas, esportivos ou não, verem seu nome e escolhas publicados aqui.

Muitos cuidaram da “Pesquisa” – um trabalhão! – e a contagem era feita na ponta do lápis, voto a voto. Edson Luiz dos Santos (outra estrelinha no céu), Marisa Vieira da Costa, Valéria Zukeran foram alguns dos responsáveis pela árdua apuração ao longo de décadas. Hoje, tarefa do Ciro Campos.

Uma honra ter participado de gestação, nascimento, infância, adolescência, juventude da “Pesquisa”. E que bom vê-la saudável na maturidade.

A DUPLA

Ah, sim, por falar em brilho: Cristiano e Messi não largam o osso, quando se trata de saber quem é o dono da bola mundial. Quer dizer, não os deixam baixar a guarda. Conquistam preferência dos mais diversos colégios eleitorais há tanto tempo que fica a impressão de que não existe alguém que possa tirar-lhes a primazia. Cada um tem, no mínimo, cinco Bolas de Ouro, fora outros prêmios badalados.

Ambos são excelentes, astros de primeiríssima grandeza, craques e com incrível regularidade. Merecem reverências, respeito e amor dos fãs, dos colegas, da crítica internacional. Não se discute. Porém, a questão não é tão simples assim.

A polarização entre ambos revela período de poucos foras de série, ao contrário do que ocorria até o início dos anos 2000. Houve tempo em que abundavam estrelas do quilate de Maradona, Zico, Platini, Falcão, Sócrates. Agora, contam-se nos dedos de uma mão os gigantes da bola (Neymar ensaia entrar no grupo).

Além disso, leve-se em consideração o poder de influência dos clubes que defendem. Barcelona e Real Madrid são duas das principais multinacionais do futebol – e, claro, ganham títulos. Natural, portanto, que seus atletas chamem atenção. Por outro lado, fecham-se os olhos para o que ocorre ao redor e tende-se a repetir voto, até, por hábito. Para pensar.

Tudo o que sabemos sobre:
futebolCristiano RonaldoMessi

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.