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OPINIÃO: Os 'Modrics' não desistem nunca

Luta e superação dentro de campo marcam seleção herdeira da antiga Iugoslávia

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2018 | 18h10

Modric e sua fisionomia estafante aos 13 minutos do segundo tempo da prorrogação representa bem essa Croácia vencedora, que desbanca os inventores do futebol, a Inglaterra, para disputar sua primeira final de Copa do Mundo. O futebol croata sempre teve berço, que me perdoe seu povo, mas a antiga Iugoslávia dava trabalho, exibia ginga e tinha também no domínio da bola uma de suas características. A Croácia vai enfrentar a França na grande decisão da Copa do Mundo da Rússia, num encontro inédito e surpreendente. Entra para a história dos Mundiais. A vitória de 2 a 1 coroa ainda uma seleção que nunca desistiu da luta, nem mesmo nesta quarta-feira, diante de um resultado adverso (estava 1 a 0 para a Inglaterra) e do poderio tradicional de um rival gigante, já campeão do mundo.

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Modric e seus companheiros de nomes engraçados para nós, brasileiros, acreditaram até o fim no impossível, que se constatou não ser tão impossível assim, passando por cima do desgaste físico de outras partidas e prorrogações intensas, sem frescura em campo e apenas tentando jogar futebol. Sabiam que estavam diante de um dos melhores times da competição, que tinha o artilheiro dela, Harry Kane, e outros tantos bons de bola. Humilde, apenas correu e lutou.

E desbancaram a favorita Inglaterra. Os torcedores ingleses em Moscou reconheceram isso nos aplausos depois do jogo.

Me agrada muito ver também os jogadores croatas erguendo e balançando a bandeira do país, demonstrando que todos eles jogam também pelo povo croata. A Croácia passou por Argentina, Dinamarca e Rússia antes de despachar os ingleses. Não é pouco. Na partida de Moscou, depois de um começo duvidoso, fora de suas características, o time se arrumou e tomou a iniciativa do jogo. Se não conseguiu na técnica de seu meio de campo, se valeu da vontade de seus jogadores. Foi uma entrega como há muito não se via. Jogou com a ambição de quem nunca esteve no Olimpo. Está a um passo de se juntar ao grupo dos campeões mundiais. Para isso, terá de fazer tudo de novo diante da França, domingo, com a única certeza de que nunca vão desistir.

 

 

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