Wilton Junior|Estadão
Ronaldinho Gaúcho desembarca no Rio Wilton Junior|Estadão

Ronaldinho Gaúcho desembarca no Rio Wilton Junior|Estadão

Os seis meses de Ronaldinho Gaúcho no Paraguai, da prisão à condenação e soltura

'Estadão' mostra em seis capítulos, passo a passo, como foi o período em que o ex-jogador esteve preso em Assunção. Este é o Capítulo 1

Raphael Ramos , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Ronaldinho Gaúcho desembarca no Rio Wilton Junior|Estadão

Seis meses em seis capítulos. O Estadão conta a partir desta terça-feira, passo a passo, os principais fatos em detalhes do período em que Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis ficaram presos no Paraguai acusados de usar passaportes falsos para entrar no país. Ambos foram detidos no dia 6 de março e só deixaram o Paraguai no último dia 25 de agosto. Quando os dois foram presos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não havia declarado a pandemia de covid-19. Depois, com as fronteiras fechadas, Ronaldinho e o irmão ficaram isolados, sem receber visita de familiares e sofreram várias derrotas na Justiça até que conseguissem o direito de voltar ao Brasil. Eles foram condenados, mas ganharam liberdade após pagar fiança.

Neste primeiro capítulo, o Estadão mostra como ocorreu a prisão quase que cinematográfica dos brasileiros em Assunção e os primeiros dias de Ronaldinho e o irmão em um presídio de segurança máxima.

CAPÍTULO 1

O drama de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro começa exatamente às 9h15 da manhã do dia 4 de março, quando Ronaldinho apresenta às autoridades de controle migratório do Aeroporto Silvio Pettirossi, em Luque, no Paraguai, o passaporte n° Q568928 no qual consta que ele é cidadão brasileiro naturalizado paraguaio. O clima era de festa. Muitos fãs foram até o aeroporto para reverenciar Ronaldinho, que chegava ao país para participar do lançamento de um projeto da Fundação Fraternidade Angelical, da inauguração de um cassino e também para promover a sua biografia, Gênio da vida.

O clima festivo, no entanto, cai por terra no mesmo dia, à noite, quando promotores e fiscais do Ministério do Interior vão ao hotel onde Ronaldinho estava hospedado para analisar detalhadamente os documentos do ex-jogador e de seu irmão. Descobre-se, então, que eram passaportes fraudulentos (originais, mas com conteúdo falso). O documento de Ronaldinho havia sido emitido cerca de dois meses antes em nome de María Isabel Gayoso.

Chegou a se considerar que tudo não havia passado de um mal-entendido. Mas a história mudou dois dias depois, quando a Justiça decretou a prisão de ambos. A suspeita do MP era de que Ronaldinho Gaúcho e Assis faziam parte de um amplo esquema de falsificação e lavagem de dinheiro, com a participação de funcionários públicos e políticos.

Já era quase fim de noite quando os policiais entraram em uma das suítes de um dos hotéis mais luxuosos de Assunção para levar os brasileiros à Agrupación Especializada, um quartel da Polícia Nacional adaptado em presídio. No dia seguinte, um sábado, rodou o mundo a imagem de Ronaldinho chegando para prestar depoimento à Justiça algemado, cobrindo os braços com um pano rosa.

Na Agrupación, o ex-jogador e seu irmão passaram a dividir uma cela de 18 m². O local era equipado com duas camas, televisão, geladeira e um ar-condicionado instalado após a chegada da dupla. O banheiro, no entanto, era fora da sala e de uso coletivo. Como a temperatura na capital paraguaia batia os 40ºC em março, Ronaldinho e Assis passavam o dia de bermuda, camiseta, chinelos e cheios de repelente de mosquito por todo o corpo. O presídio fica em uma região arborizada, próxima do Rio Paraguai, e havia muitos insetos naquela época do ano.

Nos primeiros dias de cárcere, Ronaldinho se recusava a comer a mesma refeição servida aos outros quase 200 detentos e só se alimentava com a comida de restaurantes levada pelos seus advogados. Depois, no entanto, passou a ir com frequência ao refeitório da cadeia e até participava de partidas de futebol e futevôlei na cadeia. Em um dos jogos, atuou no time de Fernando Gonzalez Karjallo, ex-dirigente do Sportivo Luqueño preso por lavagem de dinheiro. A equipe de Ronaldinho venceu por 11 a 2, com cinco gols e seis assistências do brasileiro. Na comemoração, o ex-jogador não se furtou em posar sorridente para fotos com os companheiros de cárcere.

Antes de o governo paraguaio ter implantado a quarentena no presídio, com proibição de vistas numa tentativa de evitar a disseminação do coronavírus, era comum Ronaldinho Gaúcho receber colegas que conquistou no futebol. Um deles foi o ex-zagueiro Gamarra. Outro foi o jogador paraguaio de futevôlei Fernandito Lugo. Ele conheceu Ronaldinho em um torneio disputado no Rio e foi prestar solidariedade ao brasileiro. "Ronaldinho parece bem. Está em um lugar bem equipado, não lhe falta nada. Ele é uma boa pessoa", disse Lugo, à época, ao Estadão.

Com a proibição de visitas, o horário das atividades recreativas e esportivas foi ampliado. Ronaldinho e os demais presos podiam se exercitar ao ar livre duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde, e o brasileiro passou a ser ainda mais requisitado. Ao Estadão, o comissário Blas Vera, chefe da Agrupación, contou que os outros detentos costumavam bater na porta da cela para buscá-lo para jogar futebol. Começaram a circular nas redes sociais, cada vez com mais frequência, fotos e vídeos do brasileiro praticando esportes na cadeia.

No campo jurídico, no entanto, Ronaldinho não enfrentava um bom momento. Foram negados dois recursos apresentados pelos seus advogados de transferência para prisão domiciliar. Nem mesmo a alegação de que o seu irmão tinha problemas no coração e, por isso, precisava de cuidados médicos especiais convenceu os juízes.

Seu consolo era que, por não ser uma cadeia comum, e sim um quartel transformado em presídio de segurança máxima, era permitida a entrada de aparelhos celulares na Agrupación Especializada. Dessa maneira, Ronaldinho e o irmão mantinham contato com familiares no Brasil, inclusive por videochamadas.

SEGUNDO CAPÍTULO

Nesta quarta-feira, o Estadão mostrará como, no mês de abril, Ronaldinho e o irmão, enfim, tiveram uma boa notícia e convenceram as autoridades paraguaias a permitirem que ambos fossem transferidos da cadeia para um hotel no centro de Assunção a fim de cumprir prisão domiciliar.

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CAPÍTULO 2: Pagamento de fiança tirou Ronaldinho de cadeia e o levou para hotel no Paraguai

Segundo capítulo da série de reportagens sobre o período em que o ex-jogador esteve detido em Assunção mostra como ele conseguiu transferência para prisão domiciliar e os mimos que recebeu em sua nova 'morada'

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 10h00

O segundo capítulo da série de reportagens feita pelo Estadão sobre o período em que Ronaldinho Gaúcho esteve preso no Paraguai acusado de usar passaporte falso para entrar no país mostra como, no mês de abril, o ex-jogador e o irmão convenceram as autoridades a permitirem que ambos fossem transferidos da cadeia a um hotel no centro de Assunção para cumprir prisão domiciliar. Também será possível conhecer detalhes do primeiro mês de estada dos brasileiros no hotel.

CAPÍTULO 2

Ronaldinho Gaúcho e o irmão Assis já estavam presos há mais de um mês na Agrupación Especializada, um quartel da Polícia Nacional adaptado em presídio, quando, no dia 7 de abril, enfim, eles conseguiram a primeira vitória na Justiça do Paraguai. O juiz Gustavo Amarilla decidiu mudar o regime de reclusão dos brasileiros, que ganharam o direito de transferência à prisão domiciliar em um hotel em Assunção.

O que chamou atenção foi a mudança de estratégia dos advogados de Ronaldinho e seu irmão, sobretudo do ponto de vista financeiro. No mês anterior, eles haviam dado como garantia um imóvel que serviria como prisão domiciliar, no valor de US$ 770 mil (cerca de R$ 4,1 milhões). Mas o juiz entendeu que, se ambos saíssem da cadeia, poderiam prejudicar as investigações de uso de passaporte falso e outros crimes. Já o promotor Marcelo Pecci falou explicitamente que o problema era financeiro. "Ronaldinho ganhou muito mais do que US$ 770 mil em sua carreira", justificou.

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Ronaldinho ganhou muito mais do que US$ 770 mil em sua carreira
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Marcelo Pecci, promotor

Foi, então, que os advogados de Ronaldinho resolveram oferecer o pagamento de uma fiança de US$ 1,6 milhão (aproximadamente R$ 8,3 milhões) e indicaram que ele e Assis iriam morar no Hotel Palmaroga, um dos mais luxuosos da capital paraguaia, a 3,3 quilômetros da cadeia onde os irmãos estavam detidos há 32 dias. O juiz aceitou a nova e maior proposta e permitiu que os brasileiros ficassem em prisão domiciliar enquanto aguardavam a sequência das investigações e o julgamento.

Com as fronteiras do Paraguai fechadas e severas medidas de isolamento social implantadas pelo governo por causa da pandemia do novo coronavírus, Ronaldinho e o irmão eram praticamente os únicos hóspedes de um hotel de 107 quartos. De estilo colonial, o hotel fica em um edifício de 6.000 m², reconstruído em 2019, mas que conserva a fachada de 1900. O ex-jogador ficou em uma suíte com cama king-size, TV de 55 polegadas e banheira de hidromassagem, entre outros mimos. A diária custava 380 dólares (mais de R$ 2 mil).

Para manter a forma física, Ronaldinho ia à academia todos os dias. A seu pedido, uma sala com cerca de 150 m² foi adaptada para que o ex-jogador pudesse se divertir com uma bola e jogar futebol. "Habilitamos a sala para suas brincadeiras e embaixadinhas", declarou o Emilio Yegros, gerente do hotel.

Foi no período em que esteve no Palmaroga que Ronaldinho quebrou o silêncio e recebeu jornalistas paraguaios da TV ABC para conceder sua primeira entrevista desde a prisão. O ex-jogador declarou que não sabia que os passaportes eram falsos e que estava disposto a contribuir com as autoridades locais.

Enquanto isso, a prisão de Ronaldinho virou um escândalo nacional e provocou uma devassa em órgãos estratégicos do governo paraguaio. Foram indiciadas pelo Ministério Público 16 pessoas, incluindo servidores da Polícia, do Banco Nacional de Fomento, da Direção Nacional de Aeronáutica Civil e da Direção Geral de Imigração, departamento responsável pela entrada e saída de estrangeiros no país. As autoridades prenderam 15 pessoas. A única foragida era a empresária Dalia López. Apontada como peça-chave da suposta organização criminosa, ela foi a responsável por fazer o convite para Ronaldinho ir ao Paraguai.

TERCEIRO CAPÍTULO

Nesta quinta-feira, o Estadão mostrará que, no mês de maio, após o relaxamento de parte das medidas de isolamento social no Paraguai e a retomada de atividades do Poder Judiciário, os advogados de Ronaldinho Gaúcho e de seu irmão, Assis, entraram com novo recurso na tentativa de anular o processo que levou ambos à prisão pelo uso de passaportes falsos.

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CAPÍTULO 3: Mesmo preso, Ronaldinho ganhou seguidores e manteve patrocínios

Terceiro capítulo da série de reportagens sobre o período em que o ex-jogador esteve detido no Paraguai mostra como ele usou as redes sociais e ampliou número de fãs

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 10h00

O terceiro capítulo da série de reportagens feita pelo Estadão sobre o período em que Ronaldinho Gaúcho esteve preso no Paraguai, acusado de usar passaporte falso para entrar no país, mostra como o ex-jogador se manteve ativo nas redes sociais e, assim, conseguiu ganhar seguidores e continuar com seus patrocínios. Até live de grupo de pagode Ronaldinho participou durante a prisão domiciliar em um hotel no centro de Assunção.

CAPITULO 3

Nos últimos meses, Ronaldinho teve um aumento de 400 mil seguidores em suas redes sociais. Nas principais plataformas digitais, ele acumula mais de 100 milhões de seguidores. Somente no Instagram, são 51,7 milhões. Esses números fizeram, por exemplo, a Embratur manter o ex-jogador como Embaixador do Turismo do Brasil, independentemente do processo que corria contra ele na Justiça paraguaia.

"O passado vitorioso de Ronaldinho como ex-jogador de futebol é reconhecido no mundo inteiro, e possíveis erros em sua vida pessoal não apagam sua história de sucesso", diz trecho de nota enviada pela Embratur ao Estadão. "Seu trabalho como Embaixador do Turismo não consiste em cumprir agenda preparada pela Embratur, porém, quando chamado, costuma comparecer a eventos e também fazer postagens em suas redes sociais mostrando ao mundo as belezas do Brasil."

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Possíveis erros em sua vida pessoal não apagam sua história de sucesso
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Embratur, em nota

Sem restrição de uso do aparelho celular no hotel em que cumpriu prisão domiciliar enquanto esteve no Paraguai, Ronaldinho usou as redes sociais para parabenizar o amigo Lionel Messi pelo seu aniversário, relembrar dribles desconcertantes em dia de Gre-Nal e recordar as conquistas dos títulos da Libertadores de 2013 com o Atlético-MG e da Liga dos Campeões de 2006 com o Barcelona, entre outras postagens.

A casa de apostas Betcris, uma das patrocinadoras de Ronaldinho, manteve o contrato com o ex-jogador e, assim que ele saiu do Paraguai, lançou uma campanha com a imagem do astro nas redes sociais e nas placas de publicidade da partida entre Flamengo e Santos, pelo Campeonato Brasileiro. "Em relação ao que aconteceu com ele no Paraguai, aprendemos com a mídia, como quase todo mundo. Confiamos no procedimento da Justiça e na presunção de inocência de Ronaldinho. Decidimos colocar em pausa a exposição durante esse período, mas estamos felizes por ele estar livre e esperamos ter campanhas bem-sucedidas com ele", disse Aurélien Lohrer, diretor de marketing da Betcris.

O especialista em marketing esportivo e professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Marcelo Palaia compara Ronaldinho a Mike Tyson, considerado um dos maiores boxeadores de todos os tempos e dono de um longo histórico de problemas com a polícia e a Justiça dos Estados Unidos.

"A imagem do Ronaldinho já não era das melhores fora dos gramados. Porém, acredito que casos como o do Tyson ilustram bem no sentido de mostrar que o fã está disposto a perdoar deslizes de seus ídolos. Ele passou por vários episódios controversos, mas as pessoas não deixam de considerá-lo um dos grandes nomes do seu esporte. Na esfera de marcas e patrocinadores, é claro que existe uma mancha de não querer se associar a atletas que possam gerar prejuízo de reputação, mas ele ainda tem uma base de admiradores sólida que, eventualmente, abrem brechas para que empresas continuem o enxergando como potencial ícone", explica Palaia.

No campo jurídico, enquanto Ronaldinho e seu irmão, Assis, estavam em prisão domiciliar, os advogados dos brasileiros entraram com novo recurso na tentativa de anular o processo. Em vão. Ambos continuaram detidos no Paraguai.

QUARTO CAPÍTULO

Nesta sexta-feira, o Estadão mostrará que, no mês de junho, Ronaldinho já não conseguia mais esconder os sinais de desgaste com o processo que se arrastava na Justiça paraguaia. "Estão sendo 60 longos dias", desabafou em entrevista ao jornal Mundo Deportivo, da Espanha.

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CAPÍTULO 4: Livre da Justiça paraguaia, agenda de viagens de Ronaldinho deve ser retomada

Quarto capítulo da série de reportagens sobre o período em que o ex-jogador esteve detido em Assunção mostra que exibir a marca de seus patrocinadores pelo mundo é importantíssima fonte de renda

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 10h00

O quarto capítulo da série de reportagens feita pelo Estadão sobre a prisão de Ronaldinho Gaúcho no Paraguai, acusado de usar passaporte falso para entrar no país, mostra que, quando a pandemia da covid-19 for controlada, talvez com uma vacina eficaz, faz parte dos seus planos e das empresas que o patrocinam voltar a organizar eventos pelo mundo. Era isso o que ele fazia antes do aparecimento da doença e sua prisão. Ele não perdeu prestígio junto aos patrocinadores, conforme apurou o Estadão.

A prisão de Ronaldinho em Assunção se deu justamente em uma dessas viagens, na qual ele iria participar do lançamento de um projeto da Fundação Fraternidade Angelical, da inauguração de um cassino e também promover a sua biografia, Gênio da vida. A empresária paraguaia que o contratou para isso continua fugitiva.

CAPÍTULO 4

México, China, Portugal, Israel, Tailândia, Japão, Alemanha, Quênia, Rússia... e Paraguai. Essa é a lista de países que Ronaldinho Gaúcho visitou antes de ser preso em Assunção, no dia 6 de março. Quando a pandemia do novo coronavírus passar, o ex-jogador deve voltar a viajar pelo mundo para participar de eventos. Além de ele já ter admitido que gosta desse novo papel que assumiu desde quando pendurou as chuteiras, exibir a marca de seus patrocinadores virou importantíssima fonte de renda para Ronaldinho. Entre as empresas que contam com o astro nesse tipo de ação está a casa de apostas Betcris.

Legalmente, o ex-jogador está livre para ir a qualquer lugar depois de ficar quase seis meses preso no Paraguai junto com o irmão Assis e pagar multa de R$ 1,1 milhão à Justiça. "Não há nenhum impedimento para viagens. O resultado da suspensão do processo, com o pagamento da multa, é a absolvição", disse ao Estadão Sérgio Queiroz, advogado do ex-jogador.

Durante o período em que esteve preso, Ronaldinho conseguiu manter patrocínios e campanhas online com sua imagem foram lançadas assim que ele voltou ao Brasil. O próximo passo, quando a disseminação da covid-19 estiver controlada, serão ações com a presença do ex-jogador e de público.

"Ele nasceu como estrela mundial no período limite entre o analógico e o digital. E, apesar de ter uma legião de fãs de gerações seguintes devido ao seu futebol mágico, jogadores como ele possuem uma espécie de escudo que os eximem como ídolos de problemas de imagem. Deveria ser assim com todos. O ponto é que essa geração mais velha, que não nasceu na rede social e entende com mais facilidade alguns erros dos seus ídolos sem iniciar um movimento absurdo de 'cancelamento', também segue em suas redes sociais ídolos dessa geração atual, mas com um comportamento menos polarizado", analisa Gustavo Herbetta, fundador e diretor de criação da LMID, agência de marketing esportivo.

Voltar a viajar significará retomar um velho hábito para Ronaldinho. Acostumado a rodar o mundo desde a adolescência - aos 17 anos, por exemplo, ele já vestia a camisa 10 da seleção brasileira no Mundial Sub-17 e foi o grande destaque da campanha do título conquistado no Egito -, Ronaldinho não escondeu os sinais de desgaste com o processo que o manteve no Paraguai por quase seis meses. Em junho, por exemplo, ele desabafou em entrevista ao jornal Mundo Deportivo, da Espanha. "Estão sendo 60 longos dias", disse.

De acordo com apuração do Estadão, o jogador mantém seus contratos mesmo após o episódio no Paraguai.

QUINTO CAPÍTULO

Neste sábado, o Estadão mostrará que, segundo a imprensa paraguaia, a vida de Ronaldinho foi agitada, mesmo preso. O brasileiro tinha o hábito de organizar festas e receber modelos no quarto do hotel de luxo onde ficou em Assunção.

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CAPÍTULO 5: Em prisão domiciliar, Ronaldinho tinha o hábito de fazer festas com modelos

Quinto capítulo da série de reportagens sobre o período em que o ex-jogador esteve detido no Paraguai mostra que karaokês na sua suíte invadiam a madrugada

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2020 | 10h00

O quinto capítulo da série de reportagens feita pelo Estadão sobre a prisão de Ronaldinho Gaúcho em Assunção, acusado de usar passaporte falso para entrar no país, mostra que, segundo a imprensa paraguaia, a vida do ex-jogador foi bastante animada. O brasileiro tinha o hábito de organizar festas e receber modelos no quarto do hotel de luxo onde ficou em Assunção.

De acordo com o jornal Hoy, era comum os funcionários do hotel Palmaroga ver mulheres entrando e saindo do quarto de Ronaldinho e do seu irmão, Assis. Os dois nunca negaram a realização dessas festas.

CAPÍTULO 5

As visitas a Ronaldinho costumavam chegar em carros luxuosos e entravam direto pelo estacionamento, sem nem passar pela recepção. Subiam para o quarto do ex-jogador e ali ficavam até altas horas da madrugada. As noites eram agitadas com festas de karaokê.

Com as fronteiras do Paraguai fechadas por causa da pandemia do novo coronavírus, os brasileiros eram praticamente os únicos hóspedes de um hotel. O ex-jogador ficou em uma suíte com cama king-size, TV de 55 polegadas e banheira de hidromassagem. Uma sala com cerca de 150 m² foi adaptada para que Ronaldinho pudesse jogar futebol.

Era comum também Ronaldinho sair na varanda e ser flagrado por torcedores. Foi assim, por exemplo, com um apresentador de TV paraguaio. Simpático, o ex-jogador não se furtou em acenar para um fã no mês de junho.

Durante o tempo em que o brasileiro esteve preso, surgiu o boato de que o camaronês Samuel Eto’o, companheiro de Ronaldinho nos tempo de Barcelona, teria pagado parte da fiança do jogador. Chegou a viralizar uma imagem de Eto’o e Ronaldinho se abraçando. A foto, no entanto, foi feita em 2019.

Quem também teve seu nome envolvido no pagamento da fiança de Ronaldinho foi Lionel Messi. O argentino usou as redes sociais para desmentir que tenha dado dinheiro para o ex-companheiro de Barcelona.

SEXTO CAPÍTULO

Neste domingo, o Estadão mostrará como o Ministério Público do Paraguai mudou de posição e pediu a suspensão de processo contra Ronaldinho Gaúcho. O brasileiro, então, conseguiu a liberdade e voltou ao Brasil.

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CAPÍTULO 6: Ronaldinho deixou o Paraguai aos gritos de 'não se vá'

Sexto capítulo da série de reportagens sobre a prisão do ex-jogador mostra que, apesar de ser considerado culpado, brasileiro precisou apenas pagar uma multa

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2020 | 10h00

O sexto e último capítulo da série de reportagens feita pelo Estadão sobre o período em que Ronaldinho Gaúcho ficou preso no Paraguai, acusado de usar passaporte falso para entrar no país, mostra como o ex-jogador conseguiu o direito de voltar ao Brasil depois de passar 171 dias detido em Assunção junto com o seu irmão Assis. A sorte dos brasileiros começou a mudar no início de agosto, quando o Ministério Público do Paraguai mudou de posição e pediu a suspensão do processo.

No dia 24 de agosto, então, foi realizada a audiência que definiu que os dois eram culpados e, por isso, foram condenados. A pena, no entanto, foi suspensa e os brasileiros precisaram apenas pagar uma multa.

CAPÍTULO 6

Sexta-feira, 7 de agosto. O Ministério Público do Paraguai anuncia que apresentou um pedido solicitando a suspensão do processo contra Ronaldinho Gaúcho e o seu irmão Assis. O MP também solicitou o pagamento de uma multa de US$ 200 mil (pouco mais de R$ 1 milhão), sendo US$ 90 mil (R$ 487 mil) referentes a Ronaldinho e mais US$ 110 mil (R$ 542 mil) de Assis. O valor seria descontado da fiança de US$ 1,6 milhão (aproximadamente R$ 8,5 milhões) que ambos pagaram em abril para ganhar o direito de deixar um presídio e ir a um hotel no centro de Assunção para cumprir a prisão domiciliar.

O pedido do MP foi comemorado pela defesa de Ronaldinho após sucessivas derrotas na Justiça do país vizinho. No mês anterior, por exemplo, a Quarta Corte de Apelação de Assunção havia rejeitado recurso que questionava a maneira como o processo vinha sendo conduzido.

Os promotores investigavam suposta participação de Ronaldinho e o irmão em uma organização criminosa especializada em falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. Desde o início das investigações, os brasileiros alegavam que foram enganados e não sabiam que os passaportes tinham sido adulterados. Dezoito pessoas foram indiciadas por envolvimento no caso.

No dia 24 de agosto, então, em uma audiência com a presença de Ronaldinho e do irmão transmitida ao vivo pela TV Justiça do Paraguai, o juiz Gustavo Amarilla acatou o pedido do MP e os brasileiros ficaram livres para retornar ao Brasil. A audiência também apontou que Assis foi o responsável pelo fornecimento das fotos para a produção de documentos falsos, enquanto Ronaldinho não teria conhecimento do ato. Por isso, a multa de Assis foi maior. Ainda ficou acertado que os brasileiros receberiam de volta US$ 1,4 milhão (R$ 7,4 milhões), valor equivalente à diferença da fiança de US$ 1,6 milhão que haviam depositado em juízo em abril e a multa de US$ 200 mil.

Dois dias depois, Ronaldinho e o irmão, enfim, voltaram para o Brasil. Ao sair do Hotel Palmaroga, os dois pagaram uma conta de mais de US$ 100 mil (R$ 530 mil) referentes às 140 diárias em que permaneceram no local. Quando o portão da garagem do hotel abriu e despontou o automóvel BMW azul com Ronaldinho no banco do passageiro, dezenas de fãs se amontoaram em cima do carro. “Ronaldinho não se vá, não se vá”, gritavam alguns torcedores.

Após certa dificuldade, o motorista conseguiu partir rumo ao Aeroporto Silvio Pettirossi, em Luque, nos arredores de Assunção. Em meio às restrições de viagens impostas pelo governo do Paraguai devido à pandemia da covid-19, Ronaldinho e o irmão receberam uma autorização especial para embarcar em um voo fretado rumo ao Rio de Janeiro.

Duas horas depois, já no aeroporto do Galeão, o ex-jogador surgiu vestindo uma extravagante roupa da grife Dolce & Gabbana avaliada em R$ 12 mil. De óculos escuros e com a máscara incorretamente abaixo do nariz, Ronaldinho foi cercado por jornalistas, mas driblou a imprensa e nada falou. Terminava ali o período mais conturbado da vida de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro.

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