Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Oscar tem a última chance de brilhar no torneio

Habilidoso, o meia ainda não conseguiu mostrar um bom futebol. Mas, para Felipão, seu 'sacrifício' é fundamental

MATEUS SILVA ALVES - Enviado Especial, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2013 | 07h22

RIO - A maior decepção da seleção brasileira na Copa das Confederações é Oscar. Antes de o torneio começar, não havia quem duvidasse que o meia seria um dos pilares do time nacional, mas ele passou praticamente despercebido nas quatro partidas disputadas pelo Brasil. A final, no domingo, será a última chance de Oscar: ou ele brilha no Maracanã ou sai da competição com o prestígio arranhado.

O Oscar da Copa das Confederações é uma sombra do meia habilidoso e inventivo que rapidamente caiu nas graças da torcida do Chelsea e se tornou titular indiscutível da seleção brasileira. Até o amistoso contra a França, o último antes do torneio da Fifa, ele era o centro de gravidade da equipe, brilhando mais até do que Neymar. Diante de Japão, México, Itália e Uruguai, no entanto, o rapaz de Americana chutou pouco a gol e raramente deu passes precisos para os companheiros. Ele só reluziu em uma ou outra jogada isolada, como na que resultou no terceiro gol brasileiro contra os japoneses, marcado por Jô, quando, é bom lembrar, o jogo já estava decidido.

A explicação mais provável para o pálido desempenho de Oscar na Copa das Confederações é física. Ele alcançou na quarta-feira, em Belo Horizonte, a incrível marca de 84 partidas na temporada, já que no Chelsea joga sempre, seja como titular ou entrando durante as partidas. Pior: por ter se transferido do Internacional para o clube inglês no meio do ano passado (ele se apresentou ao Chelsea logo após a Olimpíada de Londres), Oscar emendou a temporada brasileira na europeia e está há um ano e meio sem férias.

A comissão técnica, no entanto, jura que o meia não tem qualquer problema físico e até argumenta que ele tem crescido nos minutos finais das partidas da seleção, o que não ocorreu contra o Uruguai, partida em que Oscar foi apático do início ao fim. A verdade é que Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira, os mandachuvas da seleção, admiram o jovem jogador por uma faceta que passa despercebida para os torcedores: a capacidade de sacrifício.

Felipão nem cogita a possibilidade de tirar Oscar da equipe porque ele se dedica muito ao trabalho de marcação. O meia passa a partida toda correndo à beira do gramado. Em um momento ele está no ataque e, no instante seguinte, já está perto da área brasileira para ajudar a marcar o lateral adversário. “Ele vai e volta umas 90 vezes por jogo”, exagera Felipão, com evidente admiração. “No futebol moderno, o jogador que cumpre a função do Oscar (meia que atua pelos lados) é o que mais se sacrifica fisicamente, pois tem de percorrer uma faixa de cem metros durante todo o jogo. Por isso, é comum que esse jogador seja o primeiro a ser substituído”, diz Parreira.

Uma parte do seu trabalho, portanto, Oscar está fazendo muito bem. Uma parte importante, mas falta a outra, aquela que os torcedores estão esperando: o gol de alta categoria, o passe sutil que deixa um colega na cara do gol. Oscar sabe fazer tudo isso, mas ainda não o fez na Copa das Confederações. Para a seleção brasileira, será maravilhoso se, no Maracanã, ele “estrear” no torneio.

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