Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Oscar: um menino com a missão de maestro na seleção brasileira

Jogador de 21 anos é apontado como o principal articulador do time de Felipão

Mateus Silva Alves - Enviado especial , O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2013 | 08h01

GOIÂNIA - Quem esperava por um recital de Neymar no amistoso contra a França, em Porto Alegre, viu um outro craque com cara de menino assumir a tarefa de comandar a seleção brasileira e decidir a partida: Oscar. Como sempre, o meia mostrou a calma de um veterano sob intensa pressão, embora esse amistoso tenha sido quase nada perto da pressão que ele vai enfrentar na Copa das Confederações e, certamente, na Copa do Mundo de 2014.

Ser o principal armador da seleção nessas competições parece um fardo pesado demais para um garoto de 21 anos, mas aqueles que conhecem bem Oscar estão convencidos de que ele vai tirar tudo isso de letra.

Oscar não precisou de muito tempo para começar a brilhar no Internacional, assim como aconteceu no Chelsea e na seleção brasileira. Para ele, o futebol é uma coisa muito fácil: Oscar chega, dá uma olhada na situação e logo se ajusta a ela. Foi assim que ele se tornou titular da seleção quase instantaneamente.

Em sua terceira partida com a camisa amarela, contra a Dinamarca, em maio do ano passado, o meia jogou tanta bola que nunca mais saiu do time. Mano Menezes fazia questão de tê-lo entre os seus 11 eleitos e Luiz Felipe Scolari também faz.

"Ele tem muita personalidade. E jogador quando tem personalidade é meio caminho andado", disse Milton Cruz, coordenador técnico do São Paulo, que viu Oscar crescer nas divisões de base do clube do Morumbi.

Essa personalidade toda fez Oscar ganhar muitos admiradores no mundo da bola. Alguns deles de peso, como Paulo Roberto Falcão, que foi seu técnico no Internacional e não se esquece da atenção com que o menino ouvia os conselhos do mestre. Falcão sabe que esses conselhos ajudaram a polir a joia. "Ele tinha um drible fácil, mas não dava sequência às jogadas. Trabalhei isso com ele. E o Oscar batia bem na bola, mas muito embaixo dela e ela subia demais. Foram coisas que eu ajudei a corrigir", lembrou o craque da inesquecível seleção brasileira da Copa de 1982. "O Oscar é muito inteligente e quem é inteligente absorve as coisas rapidamente."

Absorvendo tudo em ritmo acelerado, Oscar logo se tornou um jogador indiscutível no Inter, situação que não mudou quando Falcão deu lugar a Dorival Júnior. Que logo se tornou mais um fã do meia. "Há uma conjunção de fatores que faz com que ele sinta muito pouco a pressão. Ele é uma pessoa simples, humilde e não mudou com o sucesso. Em campo, ele tem uma versatilidade muito grande. Pode jogar como meia ou como segundo volante sem problemas", comentou Dorival. "Do meio para frente, ele só não pode ser cabeça de área e centroavante. De resto, vai muito bem em todas", concordou Falcão.

A maturidade que Oscar demonstra nos gramados, aquele ar de veterano precoce, é também fruto da história de alguém que viu tudo acontecer muito cedo na vida. Alguém que aos 12 anos já sustentava a família, aos 16 se tornou profissional da bola, aos 17 entrou na Justiça para se libertar do clube que o formou e aos 18 se casou.

A briga com o São Paulo, aliás, é um capítulo à parte na carreira de Oscar. Por causa dela, ele ficou quase dois meses sem jogar pelo Inter, no começo de 2012. Mas o garoto soube tirar lições daquela experiência desagradável. "Aquilo ajudou o Oscar a amadurecer", opinou Falcão. "Foi uma pena. O Ricardo Gomes (técnico do São Paulo no fim de 2009) disse ao Oscar que depois das férias de fim de ano ele seria titular da equipe. Ele já estava pronto para brilhar. Mas aí ele entrou na Justiça e foi embora", lembrou Milton Cruz, ainda hoje lamentando a irreparável perda.

Com tantas virtudes, não é à toa que a comissão técnica da seleção tem uma confiança tão grande em Oscar, apesar de sua pouca idade. "Mais do que organizar, ele tem muita tranquilidade para definir as jogadas. Isso é fundamental", elogiou o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira. Assim sendo, o jogador do Chelsea é indiscutivelmente o verdadeiro camisa dez, embora não jogue mais com esse número às costas (a honra foi cedida a Neymar). A pressão de ser o homem mais criativo da seleção diante dos exigentes olhos dos torcedores brasileiros é enorme, mas, ao que parece, não é suficiente para tirá-lo do sério.

"Ele não vai sentir peso nenhum. O Oscar sempre teve muita maturidade, e agora tem ainda mais depois de ter passado uma temporada na Europa", falou Milton Cruz. "Ele nunca foge da responsabilidade. São poucos os que têm essa característica", acrescentou Dorival, deixando claro que, para a seleção brasileira, seria muito bom ter mais alguns Oscares.

NÚMEROS

4

anos tem a carreira de Oscar. Ele fez sua estreia como jogador profissional na temporada de 2009, pelo São Paulo

4

títulos ele conquistou como profissional. Foram três pelo Internacional (dois Campeonatos Gaúchos e uma Recopa Sul-Americana) e um pelo Chelsea (Liga Europa)

17

jogos tem Oscar pela seleção brasileira. Sua estreia foi contra a Argentina, em setembro de 2011, no Superclássico das Américas

6

gols fez o meia com a camisa amarela. O primeiro deles foi contra a Argentina, em junho do ano passado, e o último, contra a França, no domingo

3

gols marcou Oscar na decisão do Mundial Sub-20 de 2011, contra Portugal. Foi a primeira vez que um jogador alcançou essa façanha na história do torneio

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