Osmar não se importa com anonimato

Cinco gols em quatro jogos. O retrospecto de Osmar no Palmeiras é impressionante. Mas ainda não é famoso dentre os torcedores. No Aeroporto de Guarulhos, onde o time desembarcou hoje empatar por 2 a 2 com o Vitória, domingo, Osmar andava tranqüilamente, sem ser incomodado. Só três palmeirenses mais fanáticos o reconheceram e pediram autógrafo. O goleiro Sérgio e o volante Magrão foram os mais procurados. Tímido, Osmar até prefere que as coisas fiquem assim. É avesso às badalações. Tem consciência, porém, de que seus dias de paz podem acabar domingo, caso mantenha sua média de gols e marque também contra o Corinthians, no Morumbi. "Sinceramente não me preocupo com isso (fama). Quero é fazer meu trabalho, ajudar o Palmeiras, juntar um dinheirinho e comprar uma casa para minha mãe" , diz o humilde atacante. Contra o Corinthians, Osmar disputará seu primeiro clássico. "Vou encarar este jogo como encaro todos os outros. Ou seja, como se fosse o último da minha vida", diz o centroavante, que não gosta de prometer gols. "Não preciso marcar. O importante é o Palmeiras sair vencedor". Quando criança, Osmar torcia para o São Paulo. Quem o entrega é o irmão mais velho, Júlio César. "Ele fazia isso de pirraça. Sou palmeirense, nosso pai era palmeirense, e o Osmar, para nos provocar, dizia que era são-paulino", conta Júlio César, que é cantor de música sertaneja em Marília, onde vive. "Nunca vi o Osmar com a camisa do São Paulo, por exemplo. Ele brincava com a gente só para provocar". Osmar garante que é palmeirense desde criancinha. "É o Palmeiras quem dá o meu sustento, não é?", diz, sorrindo. O rótulo de herói de plantão do Palmeiras é rejeitado. "Só tive a felicidade de fazer o gol no finalzinho e ajudar os meus companheiros. Heróica foi toda a equipe, que lutou até o final", afirma o jogador. Para sua família, porém, Osmar já é um herói. "Ele está nos dando uma felicidade imensa, graças ao seu esforço", diz o irmão. "Eu só penso em trabalhar nos treinos e em dar o melhor de mim nos jogos", afirma Osmar, que chegou a trabalhar como entregador de gás e lavrador numa plantação de maracujá antes de se dedicar inteiramente ao futebol, já aos 17 anos. Amanhã, outro atacante, Alex Afonso, ex-Portuguesa se apresenta ao clube. Ele disputou a última temporada pelo Alverca, de Portugal.

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