Yuri Cortez/AFP
Yuri Cortez/AFP

Osorio, de torcedor a treinador do México e agora rival do Brasil

Treinador de 56 anos estará à beira do gramado na segunda-feira, em Samara, para tentar chegar às quartas de final

Ciro Campos, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2018 | 05h00

Juan Carlos Osorio tinha se mudado para o Brasil há menos de uma semana e, como estava com o domingo livre, decidiu fazer um programa diferente naquele 7 de junho de 2015. O recém-contratado técnico do São Paulo quis ir ao Allianz Parque para acompanhar de perto o amistoso entre Brasil e México. Sentado nas cadeiras, viu no meio da torcida o encontro que três anos depois se repete, mas agora com ele em outro papel no confronto.

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O treinador de 56 anos estará à beira do gramado na segunda-feira, em Samara, para tentar fazer o México superar o Brasil e chegar às quartas de final da Copa. O adversário é o país que tanto entusiasmou o treinador nas suas convicções de buscar o toque de bola rápido e o estilo ofensivo, inspirações despertadas quando era jovem e se encantou com a seleção de 1982.

Por isso, quando o São Paulo lhe propôs o convite para ser técnico em 2015, o colombiano aceitou prontamente. Trabalhar no futebol brasileiro era um sonho. “O Brasil tem o melhor futebol do mundo, com jogadores técnicos”, repetia durante a sua passagem de quatro meses pelo clube do Morumbi. O vínculo terminou quando a seleção mexicana lhe convidou para o cargo.

O chamado causou repercussão negativa no México. O treinador recebeu críticas da imprensa pela falta de títulos de expressão e virou chacota pelas manias. O rodízio de titulares foi a principal delas. Quando a equipe perdeu por 7 a 0 para o Chile na Copa América, em 2016, a campanha contra ele se intensificou. Osorio diminuiu a frequência das trocas, porém manteve o restante dos hábitos.

 

O mais marcante deles está nos pés. Osorio sempre leva canetas nas meias. A de tinta vermelha, colocada no lado esquerdo, serve para anotar as informações mais importantes, enquanto a azul, presa na perna direita, vale para informações menos relevantes.

Osorio nunca sai de casa sem papel e canetas. Por vezes, para no meio da rua para anotar alguma ideia tática para o time. Os papéis também são úteis durante os jogos para enviar bilhetes aos jogadores com orientações, geralmente expressas em desenhos. O hábito chegou a fazer a diretoria do São Paulo a sondar marcas de caneta com possíveis patrocinadores para o clube em 2015.

O comandante do México leva o apelido de “Profe” pela sua formação acadêmica em futebol. Tem licenças de treinador expedidas na Inglaterra e na Holanda e é estudioso. Quando o São Paulo enviou dirigentes para contratá-lo, o então técnico do Atlético Nacional exibiu vídeos do seu acervo particular sobre erros e acertos de posicionamento da equipe do Morumbi. Nos treinos, ele costumava fazer testes incomuns. Colocou lateral-esquerdo como ponta-direita, zagueiro como volante e atacante como meia. 

“Osorio só fala em futebol. Ele ia na minha casa ver algum jogo da Liga dos Campeões e não gostava de ficar no sofá. Dizia que era melhor sentar na escada para não ficar confortável e acabar dormindo”, disse Milton Cruz, auxiliar de Osorio no São Paulo e amigo do colombiano. Leitor voraz, levava para as preleções fundamentos da psicologia.

 

 

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