Oswaldo adota linha dura e afasta Piá

Definitivamente a fase de Oswaldo de Oliveira é outra. Conhecido no meio do futebol como pessoa pacata, de bom trato e querida pelos atletas que dirige, o treinador do Corinthians sucumbiu ao ambiente do Parque São Jorge. Concluiu, talvez tarde demais, que com papo e carinho não conseguiria tirar o time do lamaçal no qual se encontra há um ano. Então não teve dúvida, deixou de lado o perfil de "bom moço" e adotou o de degolador. Por que mudou? Simples, Oswaldo é um moribundo no comando técnico. O afastamento do meia Piá hoje foi só mais um capítulo da história que cerca a mudança de comportamento. De titular no último jogo (empate por 2 a 2 como Atlético-MG, no domingo), o jogador não foi relacionado nem para o banco de reservas para a partida de quinta-feira, no Pacaembu, diante do Vitória, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. O jovem atacante Jô, que o substituiu aos 32 minutos do primeiro tempo, em Belo Horizonte, ocupará a vaga. "Ele (Piá) está mal tecnicamente. Vai treinar separado e, quando melhorar, voltará ao time", disse o treinador. Na realidade, Oswaldo não teve muita escolha. Mal havia chegado ao Parque São Jorge, percebeu as tristes conseqüências que a briga política travada nos bastidores trouxera para o time. Aconteceu o seguinte: para apaziguar ânimos entre cartolas influentes, o presidente Alberto Dualib cedeu a pressões e, no segundo semestre do ano passado, designou diretores de outras áreas para cuidar do futebol. Andrés Sanchez, de Esportes Terrestres (hoje afastado) e Francisco Papaiordanou (Relações Públicas) foram deslocados. O resultado foi um desastre só. Contratações feitas sem critério, em "baciada", com a pífia intenção de provocar impacto. O resultado não demorou a aparecer. Atletas despreparados emocionalmente para suportar a pressão corintiana, fora de forma, sem condição física. Enfim, um desastre administrativo. Sem opção - Diante do cenário, Oswaldo só teve uma alternativa. Logo em sua primeira semana afastou vários deles, casos dos meias Adrianinho e Samir, do lateral-esquerdo Juliano e do atacante Régis. Com o passar do tempo, o técnico percebeu que o meia Rodrigo, que chegou cheio de moral, não conseguiria ter a performance esperada e o deixou no banco, onde está até hoje. Até o capitão Rincón balança. Aos poucos Oswaldo se vê diante da mesma necessidade de seus antecessores: utilizar atletas das divisões de base. Contra os baianos, pelo menos quatro deles entram entre os titulares. A formação do coletivo de hoje foi Fábio Costa; Rogério, Betão, Váldson e Renato; Wendel, Fabinho e Rincón; Gil, Jô e Marcelo Ramos.

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