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Oswaldo Alvarez, o Vadão, morre aos 63 anos em São Paulo vítima de câncer

Treinador com passagens por Corinthians, São Paulo e seleção feminina lutava contra a doença desde o fim do ano passado

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2020 | 14h19

Técnico com passagens por Corinthians, São Paulo e seleção brasileira feminina, Oswaldo Fumeiro Alvarez, conhecido popularmente por Vadão, faleceu nesta segunda-feira, em São Paulo, aos 63 anos, às 12h50. Ele lutava desde o ano passado contra complicações relacionadas a um câncer no fígado, que atingiu também outros órgãos. O corpo dele será enterrado na cidade natal dele, Monte Azul Paulista.

O treinador foi diagnosticado com a doença quando era submetido a exames de rotina. Desde então, ele realizava tratamento, mas teve de ser internado no hospital Albert Einstein no último dia 12 de maio. No entanto, o quadro de Vadão já era considerado grave e ele não resistiu ao tratamento de quimioterapia e radioterapia. Oswaldo Alvarez, 63 anos, deixa a esposa Ana Alvarez e dois filhos, Adriano e Carolina Alvarez, que fazia a parte de assessoria de imprensa do pai. 

Vadão nasceu no dia 21 de agosto de 1956, na cidade de Monte Azul Paulista. Ele começou sua carreira como meia-esquerda nas categorias de base do Guarani e rodou por clubes como Noroeste, Catanduvense e Botafogo-SP. Ao mesmo tempo, ele se formou em Educação Física e aceitou o convite para ser preparador físico da Po tuguesa. Iniciou a carreira de treinador no Mogi Mirim por convite do histórico presidente Wilson Barros. Lá foi responsável por montar o famoso 'Carrossel Caipira' no início dos anos 90. 

Este time, na época, usava um esquema tático parecido à seleção holandesa, com troca de posições entre os jogadores, que revolucionou o futebol mundial em 1974 na Copa da Alemanha sob a batuta do meia Cruyff. O Mogi contava ainda com bons jogadores como o trio ofensivo formado por Rivaldo, Leto e Válber, além do zagueiro Capone que executava bem o papel de líbero.

O técnico ainda comandou Guarani, XV de Piracicaba, Athetico-PR, Corinthians, São Paulo, Ponte Preta, Bahia, Goiás, Sport, dentre muitos outros. Ele foi campeão do Torneio Rio São Paulo em 2001 pelo São Paulo com um time jovem e que tinha como destaque o então jovem meia Kaká.

O ex-meia disse ser muito grato à chance recebida pelo treinador em 2001. "Minha eterna gratidão por ter aberto as portas para um garoto que ninguém conhecia e poucos acreditavam. Mas você acreditou, me ensinou, me deu oportunidades pra que eu pudesse voar. O dia é de muita tristeza, mas as lembranças no meu coração são de muitas alegrias", disse Kaká, em declaração divulgada pelo São Paulo.

Outro contemporâneo de São Paulo da mesma época, o ex-meia Júlio Baptista também elogiou a convivência com Vadão. "Pessoa íntegra, do bem, com caráter incrível e grandíssimo profissional. Eu não subi da base com ele, mas o Vadão foi o treinador que mais me deu chance de crescer, de melhorar. Exigia do time e era muito gentil", comentou.

Vadão foi ainda vice-campeão brasileiro da Série B em 2009 e vice do Paulista pelo Guarani em 2012. Ele teve cinco passagens pelo Brinco de Ouro, em um total de 204 jogos. É tratado com idolatria também pela arquirrival Ponte Preta, clube no qual dirigiu em quatro oportunidades.

Seu último trabalho foi na seleção brasileira feminina. Deixou o comando em meados do ano passado após a Copa do Mundo na França. Em suas duas passagens, Vadão conquistou duas Copas Américas (2014 e 2018), a medalha de ouro nos jogos Pan-Americanos de 2015, dois Torneios Internacionais, além de um quarto lugar nos Jogos Olímpicos do Brasil em 2016.

"Vadão era uma pessoa excepcional. Um homem raro, capaz de reunir virtudes como idoneidade absoluta, lealdade ímpar e enorme competência. Deixa um legado marcante para o nosso futebol e uma saudade grande em todos nós, que convivemos com ele", afirmou o presidente da CBF, Rogério Caboclo.

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