Oswaldo de Oliveira vive na corda-bamba

Oswaldo de Oliveira começou a carreira de técnico por cima, mas há pelo menos três anos anda por baixo. Mesmo nos períodos em que consegue bons resultados nos clubes que treina, não consegue se livrar da desconfiança em relação ao seu trabalho. Procura enfrentar as turbulências com tranqüilidade, mas o fato é que a corda-bamba em que vive balança mais do que a de outros treinadores. "Tenho 54 anos de idade e 30 de futebol. Não é a primeira vez que vejo isso e a gente vai se habituando?, disse hoje. Nesses 30 anos de bola, o primeiro trabalho efetivo de Oswaldo como técnico foi no Corinhians, em 1999. A chance surgiu quando Vanderlei Luxemburgo, que ele auxiliava, assumiu a seleção brasileira. Sete jogos e alguns maus resultados, porém, levaram-no de volta ao cargo de auxiliar. Evaristo Macedo foi contratado. Caiu cerca de três meses depois e Oswaldo ganhou uma segunda chance. Desta vez, aproveitou. Dirigindo um time que contava com jogadores como Marcelinho Carioca, Rincón e Gamarra, entre outros, ganhou o Paulista e o Brasileiro em 1999 e começou o ano de 2000 conquistando o título do Mundial de clubes da Fifa. Meses depois, porém, o primeiro sinal de que o seu longo inferno astral estava começando. O Corinthians foi eliminado pelo Palmeiras na Libertadores e Oswaldo acabou defenestrado do Parque São Jorge. Carioca, voltou para casa e em 7 de julho de 2000 assumiu o Vasco. Assinou contrato por 18 meses, mas ficou pouco mais de cinco. Foi despedido por um motivo inusitado: cumprimentou Luís Felipe Scolari, desafeto de Eurico Miranda, antes de jogo com o Cruzeiro. O gesto custou-lhe a cabeça. Detalhe: a demissão ocorreu na véspera da decisão da Copa Mercosul. Oswaldo levara o Vasco à final contra o Palmeiras, mas Eurico não teve piedade. Joel Santana assumiu, o Vasco virou sobre o Palmeiras no Palestra Itália (4 a 3 após estar perdendo por 3 a 0). Joel ainda seria campeão da Copa João Havelange com o time que o antecessor colocara na final. O trabalho seguinte de Oswaldo foi no Fluminense onde, de certa forma, viveu seus últimos bons momentos. O máximo que conseguiu foi levar o time às semifinais do Brasileiro de 2001, mas num jogo em 5 de dezembro, no dia em que completava 51 anos, ouviu da torcida do Flu, além do tradicional "Parabéns a Você?, o coro de "fica, fica, fica?? - na época, ele ameaçava sair. Depois disso, Oswaldo, por onde passou, só ouviu coros de "fora, fora, fora?. Inclusive no ano que passou no São Paulo e onde foi campeão pela última vez - supercampeão paulista em 2002. A torcida não perdia oportunidade de mostrar que o queria longe do Morumbi. Tanto fez que conseguiu. De volta ao Rio, ficou quatro meses no Flamengo e saiu deixando o time bem ameaçado pelo rebaixamento no Brasileiro de 2003. Em fevereiro do ano passado, foi convidado a trabalhar novamente no Corinthians. A equipe quase foi rebaixada no Paulista e ocupava as últimas posições no Brasileiro quando, quase três meses depois de chegar, Oswaldo deu lugar a Tite. O treinador, então, foi para a Bahia. Em julho de 2004 assumiu o Vitória. Saiu dois meses e meio depois, deixando o time baiano pior na classificação do que encontrara. O Vitória acabou rebaixado. Oswaldo só voltou a trabalhar este ano, no Santos, substituindo novamente Luxemburgo, que foi para o Real Madrid. Desde o primeiro dia, a maior parte dos torcedores santistas torcem o nariz para seu trabalho. "Nada que as vitórias não mudem?, espera.

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