Oswaldo explode. É a tensão do clássico

Desta vez o técnico do Corinthians não conseguiu disfarçar a irritação. A bomba, prestes a explodir no clube, hoje por pouco não foi detonada. Oswaldo de Oliveira interrompeu o treino pela manhã para, aos berros, corrigir o que mais tarde e mais calmo definiu como um erro na saída do time para o contra-ataque. As doses cavalares da bronca, no entanto, mostravam que havia outras razões por trás daquela reação. Na véspera do clássico com o Palmeiras, domingo, no Morumbi, (e voltando a usar a metáfora) ou o explosivo é desarmado - o que só será possível com uma vitória -, ou não há de sobrar muita coisa no clube após o jogo. No caso de derrota para o arqui-rival, o primeiro atingido deve ser o técnico. Conselheiros corintianos pressionam a diretoria para substituí-lo desde o fim do Campeonato Paulista, quando o time chegou bem perto de ser rebaixado. No Brasileiro, já se foram três jogos, com vitória pouco convincente sobre o Paysandu (2 a 1) e duas derrotas, para a Ponte Preta (3 a 2) e, de forma humilhante, para o Grêmio, por 4 a 0. O lance que deu origem ao aparente descontrole do treinador ocorreu quando o meia Rodrigo, titular contra o Palmeiras na posição de Fabrício (contundido), carregou a bola e não teve para quem tocar num contra-ataque. Entra Oswaldo em cena: "O cara carrega a bola um quilômetro e ninguém chega...", gritou, reclamando da marcação do time reserva. E continuou, agora direcionando a crítica aos titulares: "Não aparece ninguém! Toda vez isso! Perde o contra-ataque por quê? Por que a gente é assim?", lamentou, sem especificar um único atleta - a bronca era para todos. A explosão de Oswaldo não parou por aí. "O cara (Rodrigo) pega a bola sozinho! Parece que estão dormindo. Tem que ter tesão para fazer essa merda!", disse, exigindo mais vontade dos jogadores. Os palavrões foram omitidos da transcrição. É válido o comentário de que treinador serve para isso mesmo, para chamar a atenção dos atletas e procurar corrigir os defeitos. Foi o que disse o volante Wendel em defesa do técnico. O que chamou a atenção no episódio de hoje, entretanto, não foi o fato em si, mas a intensidade das reclamações, principalmente para quem conhece o temperamento e a forma de trabalhar de Oswaldo. "Gritar é normal e falar um ou outro palavrão é algo comum no futebol", insistiu Wendel, que substitui Fabinho, expulso contra o Grêmio. Em dois momentos do treino, o treinador reuniu os atletas para conversar no centro do campo. Em um deles, gesticulou além do normal. No fim do coletivo, vencido pelos titulares, teve uma longa conversa com o atacante Gil. O ataque corintiano ainda não fez um único gol no campeonato e Gil vem se mostrando bastante abatido por seu mau desempenho. Marcelo Ramos - O parceiro de Gil na frente ainda não está definido. Jô melhorou das dores nas costas e Oswaldo está em dúvida se já não é o momento de promover a reestréia de Marcelo Ramos. Decidirá amanhã, garantiu. O atleta, afastado desde a fratura na fíbula, há mais de 80 dias, se diz pronto para entrar em campo e marcar gols pelo time. Hoje, em seu terceiro treino coletivo, foi um dos destaques entre os reservas. Segundo o técnico, falta ainda "gesto desportivo" a Marcelo Ramos. Traduzindo: "É difícil para um atleta que sofreu tal contusão recuperar plenamente os movimentos. Olhando-o no treino, se percebe que em alguns momentos ele manca. Falta a confiança necessária, o que ele só vai adquirir com o tempo", analisou.

Agencia Estado,

30 de abril de 2004 | 19h31

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