Oswaldo já "muda a cara" do Corinthians

Oswaldo de Oliveira precisou só de quatro dias de trabalho para mudar a ´cara´ do Corinthians. Desde a chegada do técnico, o comportamento dos jogadores mudou radicalmente. A displicência que se via na época de Juninho Fonseca deu lugar a uma disputa acirrada mas leal entre os jogadores. No seu discurso-chave, o novo treinador deixou claro que vai jogar quem estiver melhor, independentemente do nome ou das opiniões externas.Estimulando a competição, Oswaldo conseguiu hipermotivar o grupo. Os jogadores passaram a treinar como se um simples trabalho tático de ataque contra a defesa fosse uma decisão de campeonato. No treino de sexta-feira pela manhã, no Parque Ecológico do Tietê, a aplicação foi tão grande que o próprio técnico resolveu cancelar as atividades do período da tarde.Desde que assumiu, Oswaldo tem imposto uma carga de trabalho extremamente forte, acima do normal. De acordo com o técnico, trata-se de um expediente comum num período de transição no comando. Como ele não conhece todos os jogadores, o ritmo intenso se faz necessário também para que o treinador saiba até onde vai a capacidade de cada um.Além disso, teve a sorte de assumir num período favorável, tendo um prazo de 10 dias para trabalhar antes de sua estréia, contra o Juventus, quinta-feira.Outra preocupação do treinador foi com o aspecto emocional. Oswaldo procurou interagir com seus atletas usando seus conhecimentos de psicologia e suas experiências no passado. Ele reconhece que o seu primeiro - e talvez o maior desafio no momento - é resgatar a autoestima da equipe. "Temos que fortalecer emocionalmente o time porque uma coisa não pode ser dissociada da outra", explica o técnico."Se a parte psicológica vai bem, a tática e a técnica também acompanham".Para aliviar a sobrecarga de responsabilidade, Oswaldo disse que não quer ver ninguém fazendo contas. Ele expilcou ao time que o único objetivo deve ser uma vitória sobre o Juventus, sem a preocupação de livrar o Corinthians da ameaça de rebaixamento ou da desclassificação."É o jogo contra o Juventus que vai mostrar a nossa realidade. Ninguém pode esquecer que estamos há um ponto do segundo colocado", acrescenta o treinador.Oswaldo entende que um time só pode ser considerado competitivo se houver equilíbrio entre todos os seus compartimentos. O técnico admite que neste recomeço de trabalho no Parque São Jorge a preocupação principal tem sido com o ataque. Mas isso já começou a mudar a partir de sexta-feira, quando a defesa passou a se confrontar num duelo direto com o ataque. No fim, quando os repórteres perguntaram se o Corinthians de Oswaldo será ou time mais ofensivo ou mais defensivo, a resposta estava na ponta da língua: "O ataque é o que vai nos dar as vitórias. Mas num time equilibrado, o ataque deve começar pela goleiro e a defesa deve começar pelo atacante".Parece muito querer tudo isso mas Oswaldo aposta que não é. O time de 99, campeão paulista e brasileiro daquele ano, e mundial em 2000, era assim. Apesar de algumas diferenças no grupo, o técnico acha que a aplicação pode ser a mesma ou até maior.E se depender da vontade do chefe, o time vai ter que se desdobrar.Sábado, os jogadores tiveram uma prova disso. O Corinthians disputou dois jogos-treinos ao mesmo tempo. Num campo da Vila Olímpica, os titulares enfrentaram o Guaratinguetá; no outro, os reservas jogaram contra o Suzano. E Oswaldo conseguiu acompanhar as duas coisas.

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