Oswaldo perde elegância e xinga torcedor

O gol de Rincón, que deu a vitória ao Corinthians aos 47 minutos do segundo tempo, deve entrar para a história do clube. Foi o gol que acabou com a elegância estudada de Oswaldo de Oliveira. Acostumado com as câmeras e fotografias desde os tempos de modelo, o treinador gosta de mostrar que está acima de qualquer pressão. Hoje, finalmente, ele mostrou outro lado. O treinador se virou para um torcedor que gritou a partida inteira ao lado do alambrado: "Seu canalha, volta para o Rio de Janeiro." A frase foi repetida aos berros durante todo o jogo. Quando Rincón marcou, Oswaldo se virou para o torcedor e desabafou. Do fundo da sua intelectualizada alma brotaram os palavrões mais pesados. "Canalha é você, seu f.p.d. Você e a b... da sua mãe." Depois, mais calmo, Oswaldo se justificou. "Eu conheço o Corinthians. Esse torcedor era cobra mandada. E ele precisava de uma resposta. E teve." O treinador sabia o que havia representado a sofrida vitória. "Foi um jogo com a cara do Corinthians: batalhado, com gol no último minuto, um resultado tranqüilizador e que nos deixa revigorados e com mais confiança para seguir no Brasileiro. O time tinha de vencer o Paysandu. Estava muito pressionado. A equipe melhorou muito. Criou inúmeras chances de gol hoje. Estou satisfeito com o progresso do time. Todos se aplicaram demais. Estou animado para esta semana difícil com Grêmio e Palmeiras pela frente." Os jogadores estavam tão animados com a superação da equipe como a reconquista da torcida. "Nós lutamos muito para vencer o Paysandu. O torcedor entendeu o nosso empenho. Não desistimos até o último minuto. Não me venham com essa conversa de que eles estavam com nove, porque nós criamos e eles tiveram de apelar, fazer faltas e acabaram expulsos. E foi ótimo ter a torcida nos apoiando do início ao fim", dizia o improvisado Renato. Contra o Grêmio, na quarta-feira, ele continuará na lateral. E Rodrigo, que decepcionou de novo, voltará ao banco. Piá, livre de suspensão, voltará ao time.Mais um dispensado - A diretoria do Corinthians continua cumprindo a promessa de dispensar jogadores de forma homeopática. Depois de Careca e Julinho, hoje foi a vez de Régis Pitbull. Ele também fazia parte do ?pacote? de 12 jogadores que chegou ao Parque São Jorge no início do ano. "Já que o Oswaldo não iria mesmo utilizá-lo, resolvemos liberá-lo para que acerte a sua vida em outro clube. Fizemos da forma mais transparente possível", dizia o vice-presidente Roque Citadini. A dispensa de Régis aconteceu porque embora o jogador tivesse contrato até julho, ele não estava suportando apenas treinar. De comportamento muito expansivo, o atacante estava ficando deprimido e ?contaminando? companheiros. Citadini soube da situação, conversou com Oswaldo e resolveram juntos liberar Régis. O atacante que chegou a chorar de emoção ao ser contratado e fez questão de levar a família para a sua apresentação no time do seu ?coração? fracassou no Parque São Jorge. Foi muito mal. Atuou em sete partidas e não marcou sequer um gol. "Se o Corinthians errou em contratar o Régis? Não vou falar do passado", disfarçava Citadini, tentando conter o sorriso. Foram os seus adversários políticos Andrés Sanches e Fran Papaiordanou que insistiram em contratá-lo. Ricardinho - Dinelson também já está integrado aos juniores. Samir, Adrianinho e Pingo estão esperando propostas. Em compensação, diretores souberam que o presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, resolveu fugir do confronto jurídico com Ricardinho. O dirigente já liberou o jogador da multa de US$ 1 milhão se voltasse a jogar em um clube brasileiro em 2004. Gouvêa não teve opção porque essa cláusula no contrato seria inconstitucional. A notícia agradou Citadini, que tem como certo o retorno do meia dispensado pelo Middlesbrough. A única coisa que o vice-presidente corintiano não está gostando é da concorrência inesperada do Atlético Paranaense, disposto a investir alto para ter o pentacampeão.

Agencia Estado,

25 de abril de 2004 | 19h56

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