Oswaldo quebra tradição de derrota

Foi difícil, mas Oswaldo de Oliveira conseguiu quebrar a tradição de perder seus jogos de estréia pelo Corinthians. Na primeira vez, pelo Rio-São Paulo de 99, foi goleado pelo Botafogo-RJ, no Maracanã: 6 a 1. Na segunda, pelo Campeonato Paulista do mesmo ano, novo vexame: 4 a 1 para o Mogi Mirim, em pleno Parque São Jorge. Nesta quinta-feira, em sua terceira estréia, a história quase se repetiu. O Juventus chegou a estar vencendo por 2 a 0, mas o Corinthians virou o placar e consagrou o seu treinador. Oswaldo saiu de campo reverenciado pela torcida. "Oswaldo..., Oswaldo..., Oswaldo..." A sua chegada ao Pacaembu, foi bem diferente. Oswaldo estava desconfiado, sem saber o que poderia esperar de sua equipe. A ausência de seus três jogadores mais experientes - Rincón, Fabinho e Rogério - deixou o técnico intrigado, especialmente diante de um adversário fatalista como o Juventus. Isso ficou bem claro logo na sua primeira entrevista, quando se negou a fazer uma previsão mais otimista em relação ao jogo. "É difícil por se tratar de um início de trabalho. Mas eu tenho grandes objetivos nessa minha volta ao Corinthians." Na preleção, Oswaldo recomendou cuidado principalmente com os nervos. Sem os jogadores mais experientes para ditar o ritmo da equipe, a preocupação era com uma surpresa desagradável: sair em desvantagem no placar. O grande medo era um contra-ataque-ataque fatal. "Quem joga contra o Corinthians aqui no Pacaembu normalmente vem fechadinho, explorando os contra-ataques. Não é só atacando que se ganha um jogo desses", advertiu o técnico. O gol de Wellington Paulista, do Juventus, não saiu exatamente assim, mas pegou a defesa corintiana desatenta, aos 15 minutos do primeiro tempo. Oswaldo permaneceu impassível no banco. Seu único gesto foi passar as mãos sobre os cabelos. Sabia que não tinha muito o que fazer no primeiro tempo, além de uma ou outra orientação aos jogadores de meiode-campo. Oswaldo pedia raça e queria mais capricho no passe. No intervalo, saiu de campo de boca fechada, ouvindo a torcida vaiar o próprio time. Sem boas alternativas no banco, optou por uma mudança tática: trocou um meia com características de marcação (Samir) por um atacante de área (Wílson). No segundo tempo, precisou só de três minutos para perceber que o time precisaria de algo mais. Quando mandou o grupo reserva se aquecer, Wellington Paulista fez o segundo do Juventus. Tudo parecia perdido até brilhar a estrela do técnico. O árbitro Robério Pereira Pires inventou um pênalti em Gil e ainda expulsou de campo o zagueiro Itabuna. Coelho fez 1 a 0, abrindo caminho para uma reação. Do banco, Oswaldo comandou a virada. Transmitiu força ao time, cobrando raça e fé. Também foi ousado na hora de trocar um armador (Adrianinho) por um meia com mais chegada na área (Jô). Deu certo: o time cresceu nos minutos finais e deu a vitória ao seu treinador, de virada.

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