Oswaldo: "Vamos disputar o título"

Cada competição tem uma história diferente e os jogadores do Corinthians se esforçam para acreditar nisso. O jogo amanhã contra a Ponte Preta, a partir das 21h45, no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, por ser válido pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro, tinha tudo para ser uma daquelas partidas difíceis de assistir, com equipes fora de ritmo e atletas pouco motivados. Mas eis que um time grande no buraco vem animar o evento. O Corinthians desde o fim do ano passado só vem dando aborrecimentos à sua torcida. Correu o risco de cair no Brasileiro e não foi rebaixado graças ao São Paulo no Campeonato Paulista. Agora, mesmo não tendo mudado nada na estrutura do elenco - veio só o meia Piá e ninguém, nem mesmo no clube, se atreve a dizer que ele fará grande diferença -, já se fala em brigar pelo título no torneio nacional. "Temos as mesmas chances de todas as outras equipes, nossa intenção é disputar o título.Só o tempo vai dizer quem são os favoritos", afirmou o técnico Oswaldo de Oliveira. Alguém acredita nisso entre os jogadores? Num claro sinal de que os poderes de persuasão do treinador vêm surtindo efeito, parece que sim. O volante Fabinho admite que o grupo tem problemas de entrosamento, mas está bem perto de superá-los completamente. "É outra competição. Nós terminamos mal o Paulista, mas crescemos muito nesse tempo que a gente teve para se preparar antes do Brasileiro." Entre o Estadual e hoje já são quase 40 dias, a equipe fez apenas uma partida oficial, na semana passada, e foi um fiasco: 0 a 0 contra o Fortaleza, no Pacaembu, pela Copa do Brasil. A euforia injustificada encontrou seu ponto máximo na declaração do zagueiro Valdson. "Já temos um time forte. Os problemas já são coisas do passado", arriscou, declarando ainda concordar com o Rei do Futebol, Pelé, que apontou o time como um dos favoritos ao título ao lado do Cruzeiro. O zagueiro Valdson acabou dizendo uma bobagem hoje após o treinamento. Em entrevista ao repórter Gustavo Villani, da Rádio Globo, contou que, ao lado de outros atletas mais experientes, vem servindo como uma espécie de psicólogo aos companheiros mais novos. Até aí tudo bem. O problema é que, em um dos conselhos, costuma dizer para os garotos encararem o clube como uma vitrine, "para conseguirem se transferir para times maiores". Quando sondados sobre as possibilidades de rebaixamento, os jogadores corintianos ficam bravos ou fingem não saber bem do que se está falando. "O torneio é longo, tudo pode acontecer até o final", desconversa o meia Piá. A cara nova corintiana na partida, aliás, deve entrar em campo intimidada. O meia Piá dividirá com Renato (que ganhou a posição de Rodrigo) a armação das jogadas e, pelo menos é o que espera Oswaldo, chegará na área para finalizar. Piá, no entanto, se sente numa incômoda situação. Enfrenta amanhã o seu antigo clube, onde esteve por cinco anos, e não esconde o constrangimento: "Se eu marcar um gol, claro que vou comemorar, mas vai ser uma comemoração bem mais tranqüila do que se fosse com outro time." Se ele pudesse escolher, confessou, não enfrentaria a Ponte em sua estréia oficial no Corinthians.Piá espera um jogo bastante difícil e não aponta nenhum favorito. "Eles têm um time rápido, que se movimenta e marca muito bem", afirma. Nem ele nega, no entanto, que o problema maior de seu atual elenco será psicológico. "A gente precisa muito dessa vitória." O técnico do Corinthians acredita encontrar um adversário forte, que vai jogar pela vitória. A seu time cabe se defender e aproveitar as oportunidades criadas - e não descarta jogar nos contra-ataques. Para marcar os gols, entretanto, Oswaldo sabe que terá problemas. Hoje, deixou claro à imprensa não ter ninguém à altura no momento para fazer dupla com Gil. "Não tenham a menor dúvida. Hoje, Jô, Gil e Wilson não teriam condição de estrear em um Campeonato Brasileiro, mas como o Marcelo Ramos ainda não está totalmente recuperado..." Sem outra opção, escalou Jô, mais rápido e com mais presença na área.

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