Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Otimismo começa a ser testado

Temos bons jogadores, um bom conjunto e um treinador extremamente competente

Abilio Diniz*, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2018 | 04h00

Espero por este momento há quatro anos. Começou de novo “o maior espetáculo da terra”. Amo futebol, e esses 30 dias serão muito especiais. Não vou à Rússia, mas quero assistir a todos os jogos da competição pela TV. É maravilhoso, através do futebol, interagir com 32 países, saber um pouco mais sobre eles e o momento que vivem.

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Programo minha agenda com muita antecedência, e esse período já está reservado à Copa do Mundo. Vale a pena fazer um esforço para antecipar compromissos e deixar a agenda mais livre.

Neste ano, nós, brasileiros, não estamos vivendo um bom momento no nosso País, saindo vagarosamente de uma recessão profunda e com muitas dificuldades nessa retomada. Além disso, o quadro político-eleitoral é preocupante, gerando grande insegurança. Na Copa, porém, o quadro parece ser bem outro, apesar dos dirigentes.

Ao final da Copa de 2014, tinha esperança que a dura derrota em casa pudesse ajudar a mudar a liderança e a governança do nosso futebol. Isso não ocorreu. Mesmo assim, chegamos à Rússia com um time muito bom. O que mostra mais uma vez que o Brasil é muito melhor que seus dirigentes.

 

Neste domingo, faremos o primeiro jogo contra a Suíça e poderemos ver se todo o otimismo com a seleção de Tite se confirma. O treinador pegou uma equipe desacreditada, em sexto lugar nas Eliminatórias. Ele recuperou a confiança dos jogadores com liderança firme, motivadora e transparente, e conduziu o time para classificá-lo em primeiro lugar. Mais do que isso, jogando um belo futebol. Em março, enfrentou a Alemanha em Berlim, diante de 75 mil alemães. Não devolveu os 7 a 1, mas devolveu confiança e venceu com categoria.

Agora, começamos um novo caminho contra a Suíça. Em seu último jogo contra o Japão, ela ganhou por 2 a 0, mas não me convenceu. O Japão jogou de igual para igual e, a não ser que melhorem muito, não deveremos ter dificuldades para vencê-los. Não vejo problemas também para superarmos os outros adversários da fase, Costa Rica e Sérvia. O Brasil, portanto, deve se classificar em primeiro na chave e, provavelmente, enfrentar o México nas oitavas de final.

Como já disse, estou otimista. Temos bons jogadores, um bom conjunto e um treinador extremamente competente. Além de profundo conhecedor do futebol e excelente estrategista, Tite tem uma característica fundamental para os vencedores: ele é um grande líder, que consegue tirar de cada jogador o seu melhor em benefício do coletivo.

Mas Copa do Mundo é Copa do Mundo. São sete jogos até chegar ao pódio. Será fácil? Claro que não. A parada será dura e a rampa, muito inclinada, mas dá para subir.

Quem serão os candidatos mais sérios na disputa do título? Difícil fazer prognósticos, mas não acredito em zebras chegando à final. Pode ocorrer alguma surpresa até as quartas de final ou mesmo na semifinal. No fim, acho que os de sempre têm mais chances: Alemanha, França, Espanha e Portugal, ganhador da última Eurocopa. Correrão por fora a instável Argentina, o Uruguai e talvez a Bélgica ou a Inglaterra. Mas é importante lembrar que futebol não tem muita lógica e é imprevisível. Por isso ele é tão bonito e apaixonante.

*EMPRESÁRIO, É PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA PENÍNSULA

 

 

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