Paciência: a receita de Grafite

É quase um consenso no São Paulo que o ideal é partir para cima do Deportivo Táchira no jogo desta noite (19h30), na abertura das quartas-de-final da Copa Libertadores da América. Como joga no Morumbi, o plano é deixar a classificação bem encaminhada e jogar tranqüilo na partida de volta, na Venezuela. Mas Grafite pensa diferente. Para ele, manter a calma é fundamental especialmente no primeiro jogo. "A gente não pode se afobar, partir com tudo para cima. Em 2002, quando jogava pelo Grêmio, aprendi muito com a nossa eliminação pelo Olimpia, na semifinal", lembra o atacante, ressaltando que "são dois jogos" e que não há nenhuma necessidade de garantir o resultado no primeiro. "O Grêmio estava ganhando por 1 a 0 lá no Paraguai e na ânsia de fazer o resultado, foi para cima. Eles viraram para 3 a 1, a gente ainda fez mais um gol, mas no jogo de volta ganhamos pelo placar mínimo e fomos eliminados nos pênaltis. É esse o erro que a gente não pode cometer."Grafite tem consciência de outro erro que não pode ser repetido hoje: o de finalização. Domingo, contra o Paraná, o São Paulo criou diversas oportunidades de gol no empate por 2 a 2. Por falhas sucessivas do atacante, deixou o Morumbi com apenas um ponto."Com a volta do Luís Fabiano eu fico mais solto lá pela direita, ou então rodando em torno dele pela esquerda", disse Grafite, feliz com a volta do companheiro de ataque. Com dores na coxa direita, Luís Fabiano fez falta na última partida.No início da noite, Milton Cruz, auxiliar-técnico do São Paulo, revelou ao JT quais são as principais armas do Táchira: o atacante Rondón e o Beraza, "um meia de ligação realmente muito bom." Milton identificou as ameaças pessoalmente, no Uruguai, quando viu o time venezuelano surpreender o tradicional Nacional.Em referência à reportagem veiculada ontem pela imprensa paulistana que serviu de pretexto para o time venezuelano fazer treino fechado, o auxiliar declarou: "Em nenhum momento, disse que o time deles tem jogadores gordos. Eles são é fortes, muito fortes. Acho que eles queriam fazer um treino secreto e usaram essa desculpa."Para traçar o perfil dos adversários na Libertadores, Milton já havia estado no Peru, no Equador e no Chile colhendo informações para o técnico Cuca. Há oito anos no clube, o ex-atacante começou a atuar como observador de adversários quando Telê Santana era o técnico do São Paulo."Na época era treinador das categorias de base e acabei indicando muitos jogadores para o time de cima."De 1997 para cá, Milton foi efetivado como auxiliar técnico e observador. Da safra mais recente, foi ele quem enxergou o talento de jogadores como Kaká e Gustavo Nery, além do artilheiro Luís Fabiano."Descobri que ele (Luís Fabiano) não estava sendo bem aproveitado no Rennes (da França), mas lembrava bem dos tempos da Ponte e falei para a gente contratar, porque um jogador desses não podia ficar aí, desperdiçado."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.