Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Padarias viram point de paulistanos em jogo matutino do Brasil

Torcedores lotaram estabelecimentos e vibraram com o jogo da seleção

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 12h48

Muita gente que pôde assistir à partida desta sexta-feira, 22, em casa lotou as padarias de São Paulo e até as 7 horas, comprando pães, frios e doces para o café reforçado - e enfrentado filas gigantes, compartilhadas com quem teve a mesma ideia. Muita gente também se espremeu entre os balcões e mesas das padocas paulistanas, para ver um jogo repleto de tensão e que terminou aos gritos e aplausos.

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Em uma padaria da Rua Estados Unidos, nos Jardins, zona sul da capital paulista, a fila das encomendas assustou. Um dos gerentes do lugar, que funciona 24 horas, afirmou que 3 mil pessoas passaram por ali - a média diária é de 5 mil. “Vendemos dois quilômetros de sanduíches”, disse. “Vou levar uns sanduíches para as meninas. A loja só abre as 10 horas, mas a gente combinou de chegar antes e assistir ao jogo aqui, para ninguém ter de sair de casa na hora da partida e não poder assistir”, disse, toda paramentada de verde amarela, a comerciante Telma Porto, de 42 anos, dona de uma loja de roupas perto da padaria.

Atender a todas as encomendas fez as padarias da cidade terem de reforçar o quadro de pessoal da manhã. Desde as 4 horas, padeiros e confeiteiros se acotovelaram nas padarias. Na hora da partida, tudo parou para eles também verem a seleção.

As principais arquibancadas, entretanto, foram entre os clientes. Neymar não ouviu, mas foi cobrado também nos balcões da capital. Quando o holandês Bjorn Kuipers, árbitro do jogo, gesticulou que o camisa 10 falava demais, os frequentadores de uma abarrotada padaria da rua Haddock Lobo, na Bela Vista, no centro de São Paulo, foram ao delírio. Naquela hora, metade do segundo tempo, não havia suco ou sanduíche sendo servido nas mesas que aliviava a tensão.

 

Um grupo, todos funcionários de um escritório na Avenida Paulista que foram liberados para o jogo, crucificou e depois beatificou o jogador. “Ele só cai, só se joga, só quer atenção. É mimado demais”, disse a supervisora de qualidade Ingrid Tomás Pessoa, de 31 anos. A padaria também será o local do jogo da próxima quarta-feira. Quando, nos acréscimos e depois de toda a aflição, marcou o segundo, ela e os colegas entoaram um canto dizendo “Neymar”.

A euforia do resultado final, e do segundo gol já após os acréscimos indicados pelo juiz, acabou tendo de se transformar em paciência. Todo mundo tinha hora para voltar aos escritórios. E a fila para pagar estava enorme.

 

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