Padre palmeirense ?seca? o Corinthians

Não é por falta de oração que o clube do interior do Paraná perderá a vaga na Copa do Brasil. O padre Orlando Paes de Camargo, da paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Cianorte, estará grudado na televisão torcendo pela equipe. "Sou daqueles fanáticos. Não perco o jogo por nada", declarou, revelando em seguida ter dois bons motivos para apoiar o time local. "Costumo dizer que tenho duas torcidas: torço pelo Palmeiras e torço contra o Corinthians", contou. "Ah, e agora ainda sou torcedor do Cianorte, claro." Aos 49 anos, diz ter sido um médio-volante bom de bola até os 32. "Não tem problema nenhum ser padre e gostar de futebol. Torço muito, comemoro e até xingo", afirmou, para surpresa até das pessoas que haviam acabado de assistir à missa dominical. "Mas xingo no bom sentido, com respeito, sem palavrão", emendou. Diante do silêncio geral, tentou explicar o que seriam suas "ofensas" aos jogadores. "Digo assim: Ô cara lerdo, atrasado, seu burro." Em dia em que o Palmeiras perde - dá para imaginar isso? - ele desliga o telefone. "Toda hora vem um corintiano tirar sarro de mim." A cidade, aparentemente, não entrou no clima da partida decisiva tanto quanto o padre. "Mas eu falo aqui na igreja, faço comentários sobre o jogo, peço para que o povo reze para o time ganhar." Só não viaja a São Paulo porque os compromissos o impedem. "É até melhor, porque eu fico nervoso demais. Em partida do Brasil e do Palmeiras, vejo dois minutos, saio para tomar água, andar um pouco, volto, fico mais dois minutos. Se não for assim não agüento." Para padre Orlando, a repercussão da vitória de 3 a 0 dia 9 de março foi a melhor possível para Cianorte. "Promoveu o time, a cidade, promoveu todos nós. Agora todo mundo sabe onde estamos, o que fazemos." Feliz, mas ainda não satisfeito. Quer ver o Corinthians eliminado. "Aquele jogo foi de suma importância. Agora, se nos classificarmos será melhor ainda", disse isso e arriscou um palpite: 0 a 0. Momentos depois, enquanto posava para o fotógrafo, se empolgou e mostrou três dedos em cada mão. Justificou: "Foram três na primeira partida e mais três na segunda." É contra a equipe do Parque São Jorge e não teve receio nenhum em dizer não gostar dos habitantes do país vizinho ao nosso. "Ganhar do Corinthians já é bom, com argentino no time deles então vai ser a melhor coisa do mundo", vibrou. Por fim, como bom pároco, um conselho aos jogadores: "Eles devem ter muita força, garra, porque vale a pena lutar pela vitória. Lutem cada vez mais e confiem em Deus", pediu. "Vai vencer aquele que tiver mais preparo, mais condições e que, como dizia o Pelé, acertar a bola onde o goleiro não está", concluiu.

Agencia Estado,

05 de abril de 2005 | 10h02

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