Reprodução/YouTube/Gaviões da Fiel
Reprodução/YouTube/Gaviões da Fiel

Pai acusa réu de usar morte para ‘subir’ na Gaviões da Fiel

Marcos Borges, pai do palmeirense morto em 2005, diz que Diguinho tratou a morte de seu filho como se fosse um troféu

Pedro Pannunzio, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2018 | 04h59

A família de Diogo quer justiça. “Ele usou a morte do meu filho para ser presidente da Gaviões. Foi um troféu.” Essas foram as palavras de Marcos Borges, pai do palmeirense morto, sobre Rodrigo de Azevedo Fonseca, o Diguinho. As versões dos dois lados se contradizem. Na época do crime, Diguinho, de 21 anos, foi apontado como diretor da subsede da Gaviões no bairro AE Carvalho, na zona leste de São Paulo. Em depoimento, porém, ele afirmou que era apenas um associado. Mais tarde, o advogado de defesa, Davi Gebara, disse, em entrevista à TV Record, que seu cliente trabalhava no departamento de bandeiras da torcida. 

Diguinho é réu em outro processo. Ele responde por homicídio qualificado por briga entre integrantes de Mancha Alviverde e Gaviões na avenida Inajar de Souza, na zona norte. O caso ocorreu em março de 2012. Dois integrantes da torcida do Palmeiras foram mortos. Um ano depois, em fevereiro de 2013, 12 corintianos foram presos em Oruro, na Bolívia, por suspeita de envolvimento na morte do menino Kevin Espada, durante jogo contra o San José, pela fase de grupos da Libertadores.

Ao lado de Wagner da Costa, o B.O., Diguinho ganhou prestígio entre os associados por prestar auxílio aos presos na Bolívia. Em abril daquele ano, a dupla conquistou o poder na Gaviões. BO virou presidente e Diguinho, vice. Dois anos depois, Diguinho foi eleito presidente no lugar de B.O.

Família

“As pessoas falam que com o passar do tempo a dor vai amenizando, mas parece que a saudade de ver ele aumenta mais.” Clarice Lima, mãe de Diogo, não ainda sofre com a perda do filho. Há cerca de 13 anos ela foi diagnosticada com depressão, desencadeada após a morte do filho, segundo conta. Até hoje, precisa tomar remédios para controlar a doença. 

No dia da briga, a mãe de Diogo relata que estava no Paraná visitando o pai, doente. Ela ficou sabendo da morte do filho pelo telefone. Emocionada,  fala sobre o sofrimento que a persegue até hoje. “Os pais não são treinados para perder os filhos. Parece que tira um pedaço da gente assim, sabe?” 

“Eu quero voltar a viver. Faz 13 anos que a gente está nessa luta por justiça”, diz Marcos Borges, o pai de Diogo. Ele não contém o choro ao lembrar do filho. “Meu filho era meu amigo. Faz muita falta.” 

Apesar de perda, Marcos e a filha Damarys não deixaram de ir aos jogos nem de pular carnaval com a Mancha Alviverde. “Os meninos da Mancha foram muito bons com a gente. Em nenhum momento eles nos abandonaram”, conta Damarys, quando questionada sobre por que seguir na torcida. Marcos conta que até suporte financeiro receberam. “O caixão do meu filho quem pagou foi o Paulo Serdan (ex-presidente da Mancha Alviverde).”

A mãe de Diogo diz que uma possível condenação de Diguinho pode trazer alívio para a família. “Não vai trazer meu filho de volta, mas pelo menos a pessoa vai pagar por aquilo que ela cometeu.”

 

 

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