Daniel Teixeira / Estadão
Daniel Teixeira / Estadão

Pai de Ceni reclama da falta de paciência com o filho

Eurydes Ceni afirma que o treinador poderia ter ficado mais tempo no comando do São Paulo

São Paulo, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2017 | 07h00

Rogério Ceni deveria ter tido mais tempo para trabalhar como técnico do São Paulo. Mesmo como um dos maiores ídolos da história do clube, ele acabou sendo vítima da cultura do futebol brasileiro, que vê, antes de tudo, o resultado do fim da partida. 

Essa é a avaliação de Eurydes Ceni, pai do ex-goleiro, ídolo do Morumbi, sobre a demissão do filho no início do mês. Ceni foi demitido depois de uma sequência de sete jogos sem vitória à frente do time. O revés diante do Flamengo resultou na queda para a zona de rebaixamento. Após dois jogos, Dorival, o sucessor, conseguiu um empate e uma derrota – e a equipe continua na zona da degola.

“A cultura no Brasil é esta. A zaga falha, o ataque falha, mas a culpa é do técnico”, opina. “Toda hora cai um técnico. Fazer o quê? O time pode até jogar bem, mas precisa dar o resultado. É a diretoria que manda. E tem aquele ditado: manda quem pode, obedece quem tem juízo”, diz o pai de Ceni. “Mas poderiam ter dado mais tempo para ele trabalhar, né?”, disse. 

Aos 77 anos, Eurydes é proprietário de uma fazenda de soja em Sinop, no Mato Grosso. A cidade, distante 500 quilômetros de Cuiabá, a capital do Estado, é o local onde viveu o ex-goleiro antes da fama e se concentram os negócios da família. 

O patriarca afirma que conversou bastante com o filho após sua demissão. Ele estava triste por não ter conseguido as vitórias, mas não estava surpreso. Sabia que havia uma pressão grande. “A gente fica triste, não tem como não ficar triste, mas acaba se conformando”, diz. 

Ceni pai perde a fluência e o jeito despojado de falar quando o tema é o futuro do filho. Obviamente, não quer revelar. Prefere sair pela tangente e comentar apenas que o filho está passando férias no exterior e que não fez planos para o futuro. “Ele está descansando. Tranquilo, mas não falou o que vai fazer da vida”, conta Eurydes. 

Fontes ligadas à diretoria do São Paulo afirmam que um dos destinos preferidos de Ceni são os Estados Unidos. Eurydes se apega ao silêncio de novo. Ele conta que vários períodos de férias de Rogério foram vividos ali, em Sinop. Gostava de correr – cinco ou seis quilômetros pela manhã – e jogar vôlei com os amigos. Vez ou outra pegava o trator, que aprendera a dirigir ainda pequeno.

Apesar de ter nascido em Pato Branco (PR), Ceni se mudou ainda criança para Sinop, onde começou a carreira. Pelo time local, foi campeão estadual em 1990. No mesmo ano, foi aprovado nas categorias de base do São Paulo, onde permaneceu até se aposentar, em 2015. 

A passagem como treinador durou menos de sete meses. Mas o pai reafirma que o filho ilustre está bem. “Eu falei para ele que a vida tem altos e baixos. Só isso”, conta o pai. 

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