Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Pai de Neymar terá a sua empresa investigada pelo MP

Procuradoria da República suspeita de sonegação de impostos

Agência Estado

29 de janeiro de 2014 | 16h21

SÃO PAULO - Um dia depois de fazer um pronunciamento no qual confirmou que recebeu 40 milhões de euros do Barcelona como uma espécie de "indenização" na transação que fez seu filho deixar o Santos e desembarcar no Camp Nou em 2013, o pai de Neymar entrou na mira do Ministério Público Federal (MPF). Por meio de nota oficial, a Procuradoria da República informou nesta quarta-feira que o MPF em Santos está requisitando informações à Receita Federal sobre a empresa N&N Sports, que foi criada por Neymar da Silva Santos e usada para o recebimento de parte do dinheiro da transação de 86,2 milhões de euros que levou o atacante brasileiro ao clube catalão.

Por causa de suspeitas de sonegação de impostos e após informações divergentes sobre o real valor da venda do jogador, a Procuradoria da República "instaurou procedimento investigatório criminal (PIC) para apurar eventual crime contra a ordem tributária", confirmou a nota oficial, na qual destacou que o MPF já enviou ofício ao delegado da Receita Federal em Santos requisitando uma série de informações por "conta de suposto recebimento de recursos que chegariam à ordem de R$ 130 milhões".

A Procuradoria da República ainda revelou que, durante a investigação instaurada pelo Ministério Público, "informações fornecidas pela Fazenda Nacional indicariam a existência de débitos tributários". Em razão das suspeitas, o órgão do governo também informou que o MPF estuda requisitar informações às autoridades espanholas, que também investigam a contratação por causa das divergências de valores apresentadas até aqui.

O procedimento investigatório criminal está sendo liderado pelo procurador da República Thiago Lacerda Nobre, e acabou sendo oficialmente confirmado após o pai de Neymar ter admitido que o Barcelona pagou à sua empresa 40 milhões de euros como fruto de um acordo inicialmente firmado com o clube espanhol em 2011.

Em 2011, o Barça concordou em pagar 10 milhões de euros de adiantamento a Neymar da Silva Santos, que também é agente do astro brasileiro, em um acordo que previa a devolução de 40 milhões de euros ao time espanhol caso o jogador optasse por assinar contrato com outro clube. E o mesmo acordo previa o pagamento de pagamento de 40 milhões de euros como contrapartida ao pai do atleta caso ele acertasse sua futura ida ao Barça, o que de fato aconteceu.

Antes do pronunciamento do pai de Neymar, o novo presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, admitiu, na última sexta, que a transação total para contratar o craque brasileiro custou 86,2 milhões de euros aos cofres do clube. Porém, o dirigente garantiu que o Barça não mentiu quando anunciou anteriormente que o jogador foi contratado por 57,1 milhões de euros. Ele explicou que o restante do valor é referente a luvas, parcerias sociais entre o clube e a Fundação Neymar e ações de marketing.

A polêmica transação, no caso, acabou sendo decisiva para a renúncia de Sandro Rosell à presidência do clube espanhol, após o ex-mandatário ter entrado na mira da Justiça espanhola, depois de um sócio do clube ter o acusado de não revelar o real valor na negociação que levou Neymar ao Barcelona.

Apesar das suspeitas que recaem sobre ele, o pai de Neymar afirmou, na última terça-feira, não temer problemas com a Receita Federal no Brasil e na Espanha. "Eu pedi para o Barcelona quebrar a confidencialidade do contrato, mas é algo que existe para proteger a pessoa física e a família do Neymar. A gente não expõe valores, mas pedi ao Bartomeu para abrir o contrato. Não devo nada às Receitas da Espanha e do Brasil. Espero que acreditem nestes esclarecimentos. Queremos paz", disse.

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