País estrambótico

Cientistas políticos entram em pane, se tentarem compreender o que se passa por aqui

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 05h00

O Brasil é tão complicado e estrambótico que amarrota diplomas de PhDs de qualquer disciplina. Cientistas políticos entram em pane, se tentarem compreender o que se passa por aqui. Só dar uma espiada no estágio em que se encontra a corrida presidencial para comprovar. Coisa de doido. Mas deixa pra lá, o papo aqui é bola.

Também o futebol entra na lista de peculiaridades verde-amarelas, para estupor de especialistas. O mundo volta-se para a Rússia, na expectativa de outra Copa. Tem até seleção que já se instalou, caso do Irã, a primeira a desembarcar. A rapaziada de Tite está a caminho e aproveita os ares e a paisagem da Inglaterra.

Por estas bandas o que acontece? Os amantes do futebol estão ligadíssimos no... campeonato nacional! Sim, senhor, a preocupação dos torcedores concentra-se ainda no destino das equipes da Série A. E da B, ora pois. As rodadas se acumulam e se estendem por mais uma semana. No grupo de elite, a bola começou a rolar ontem mesmo, com duelo quente entre São Paulo e Inter, dois clubes que um dia foram referência de organização. 

Para hoje, há vários jogos para todos os gostos, clássicos de peso, como Cruzeiro e Vasco, que lá atrás (1974) decidiram o título. Amanhã tem Fluminense x Flamengo, o confronto que existe desde “40 minutos antes do nada”, como definia Nelson Rodrigues. Bons programas para noite fria.

O olhar paulista do cronista volta-se para confronto alvinegro que tem mais história do que o Walt Disney. Em Itaquera, Corinthians e Santos dirão o que pretendem em 2018. Ambos transformaram-se em incógnitas, difícil prever do que são capazes. Corintianos sentem o baque da saída de Fábio Carille, o mago que pegou um grupo mediano, no ano passado, e o levou a dois títulos paulistas e um brasileiro antes de mergulhar em petrodólares. Santistas temem futuro nebuloso, mesmo com o respiro dado para Jair Ventura com os 5 a 2 sobre o Vitória.

Osmar Loss recebeu incumbência de alta tonelagem, ao substituir Carille. O sucesso do antecessor torna o trabalho mais árduo em vez de amenizá-lo. O fiel cobra eficiência semelhante, e talvez isso não ocorra. Mesmo que permaneça a “filosofia de jogo”, a mudança de orientação terá reflexos. Por enquanto negativos, com três derrotas em quatro jogos. Dureza para Loss.

Em socorro ao ex-auxiliar é preciso ressaltar que as oscilações eram notadas com Carille. A conquista do Paulistão teve realce porque se deu em cima e na casa de rival centenário do calibre do Palmeiras. Porém, seja no Estadual, como na Libertadores e na largada no Brasileiro, o Corinthians versão atual não tem a força e a regularidade de 2017. Como agravante, sofre com baixas. 

Nada exuberante é a condição do Santos. A surra num rival frágil como a trupe baiana aliviou o ambiente na Vila, porém a posição na tabela incomoda. Mais do que isso, perturbam as cinco derrotas em oito rodadas, o saldo negativo de gols (11 a 13), a fragilidade do elenco e as incertezas do treinador. Resumo: há tensão para Corinthians e Santos.

Para fechar, em Porto Alegre desafio de candidatos ao pódio, com Grêmio em alta e Palmeiras imprevisível. A equipe de Renato Gaúcho volta a apresentar afinação. Já o time de Roger Machado tanto pode confirmar a fama de visitante incômodo como comportar-se com apatia. Keno é sensível desfalque alviverde.

Um mito. Maria Esther Bueno é personagem marcante no esporte brasileiro. A melhor tenista nascida nesta terra em todos os tempos, venerada no circuito internacional desde quando arrasava nas quadras pelo mundo nos anos 50 e 60. Uma heroína nacional a pelejar contra doença. Nossos corações, mentes e orações estão com ela, agora e sempre.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.