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Antero Greco
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Paixão verde

De 22 anos para cá, muita coisa mudou no mundo. A paixão palmeirense não foi uma delas

O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2016 | 06h00

Amigo leitor e palestrino, imagino a alegria que sente pela conquista do outro título brasileiro. Parabéns, o Palmeiras é pentacampeão, na soma de 1971 pra cá, ou enea, pela nova recontagem, polêmica, mas que defendi neste espaço muito tempo antes de a CBF adotá-la. Tanto faz, importa que em 2016 seu time chegou na frente.

Que espera tremenda! Mais de duas décadas é tempo pra chuchu em nossas vidas. Repare quanta coisa aconteceu. Embora haja uma diferença em relação ao Paulista de 1993. Naquela época, era fim de jejum amplo e irrestrito. Agora, é apenas do Brasileiro, pois o Palestra ganhou muita coisa de 1994 para cá.

Em todo caso, já que fizeram muitas brincadeiras com os alviverdes, nos últimos dias, vale relembrar algumas mudanças importantes dali em diante. Pegue a política, por exemplo. Quando César Sampaio, Evair, Rivaldo e grande elenco faziam a festa sobre o Corinthians, em dezembro de 94, FHC já havia vencido a eleição para presidente. Ficou 8 anos no poder e passou a bola para Lula, que chegou até 2010. Quatro mandatos de normalidade democrática, fato raro na história do País.

O Brasil, em 94, tinha faturado o tetra mundial e o Real ($) entrava em cena para estabilizar de vez a economia local. No início, valia mais do que o dólar! Hoje, a moeda americana passou de R$ 3,30. A inflação botou as mangas de fora, uma presidente foi tirada do Planalto e tem arrocho em gestação.

Nesse tempo, também, sumiram Varig, Vasp, Transbrasil, símbolos da aviação, mas vieram Gol e Azul; a Tam se tornou Latam. Viraram lembrança a Mesbla e a TV Manchete. Gazeta Mercantil, Jornal da Tarde, Jornal do Brasil, Notícias Populares, Folha da Tarde, Diário Popular saíram de circulação.

A internet explodiu, recuou e se firmou como parte essencial do cotidiano. Assim como os celulares e câmeras de tevê. Youtube, Facebook, Twitter, smartphones, tablets, Ipads e congêneres que nos cercam de todo lado. Quem vive sem eles? Ou os evita?

O Iraque foi invadido de novo, as Torres Gêmeas caíram. Um papa morreu e virou santo (João Paulo 2.º), outro assumiu e entregou os pontos (Bento 16). E ainda foi eleito um argentino batuta (Francisco), que tem mexido em vespeiros.

A seleção ainda foi penta, mas tomou de 7 a 1 da Alemanha, em casa. O Palmeiras caiu duas vezes para a Série B, porém ganhou três Copas do Brasil. Faturou uma Libertadores, proeza também reservada para Corinthians e Atlético-MG. A Fifa reconheceu o Mundial de clubes de 1951.

Pois é, nesse período, o mundo passou por muitas transformações – e nelas não entram, claro, a rainha da Inglaterra, firme e forte no trono há mais de 60 anos. Nem Pelé, rei primeiro e único do futebol. Tampouco a feijoada perdeu a primazia de preferência nacional e pouco se lixa para o avanço da culinária oriental. Não se toca no chimarrão, no cafezinho, na média com pão e manteiga. Nem no tacacá, no acarajé, na buchada de bode.

Não se altera, igualmente, a paixão pelo Palmeiras. Antes, continua em ascensão. Impressionante a força da “torcida que canta e vibra”; ela envolveu o time, não o abandonou nas quedas e o empurrou nos momentos de alta, como agora. Lota estádios, aderiu ao plano de sócio como poucos, escancarou o que muitos se negam a reconhecer: a nação verde é tão representativa quantas outras badaladas pela mídia. E foi à rua, mesmo com repressão.

O time superou o desafio que lhe foi imposto. De Jailson a Gabriel Jesus, houve eficiência, dignidade, qualidade. Por isso, comparações não cabem neste momento. O Palmeiras de hoje não é mais nem menos campeão do que o Palmeiras de ontem ou de qualquer time vencedor.

O Palmeiras é campeão! E basta.

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