Hazem Bader / AFP
Hazem Bader / AFP

Palestinos protestam em treino da Argentina e pedem anulação de duelo em Israel

Ministra do esporte de Israel diz que amistoso ocorrerá e que "Messi beijará o Muro das Lamentações"

Estadão Conteúdo

05 Junho 2018 | 11h10

A seleção argentina está reunida em Barcelona e iniciou a preparação para a Copa do Mundo no Centro de Treinamento do clube catalão. Nesta terça-feira, enquanto os jogadores treinavam no gramado, alguns palestinos apareceram para protestar.

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Com camisas da Argentina manchadas de vermelho para simbolizar sangue, cerca de 15 palestinos se mostravam contrários ao amistoso que a seleção de Messi fará com Israel no próximo sábado, em Jerusalém.

O duelo tem causado comoção na comunidade árabe. Na segunda-feira, um grupo formado por 70 crianças escreveu uma carta ao Messi pedindo para que não dispute o amistoso. A Liga Árabe também divulgou um comunicado na última semana que diz que Israel utiliza o futebol como fim político.

Por conta desse amistoso, a Associação de Futebol Palestina informou que fará campanha para impedir que a Argentina receba a Copa do Mundo de 2030. "Se acontecer o jogo iniciaremos de imediato uma campanha sobre tudo entre países árabes e asiáticos contra a Argentina", afirmou o comunicado.

A Argentina, em parceria com o Uruguai e Paraguai, tem interesse em receber o Mundial de 2030. A principal revolta dos palestinos envolve especialmente a maneira como os Estados Unidos estão lidando com a eterna disputa por território entre árabes e judeus.

No ano passado, o presidente Donald Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel. Há alguns meses, o mandatário norte-americano também informou que transferirá a embaixada dos Estados Unidos de Telaviv para Jerusalém.

Desde 1947, a parte leste de Jerusalém é reconhecida pela Onu como território árabe. Apenas Israel e os Estados Unidos divergem dessa demarcação. Além disso, os palestinos reclamam que o estádio onde será disputado o amistoso é de um dos clubes mais racistas do país. O Beitar Jerusalém não aceita jogadores árabes.

Do outro lado, a ministra do Esporte e da Cultura de Israel, Miri Reguev, minimizou os protestos e assegurou que a seleção argentina ainda fará uma visita à Cidade Velha em Jerusalém e que "Messi beijará o Muro das Lamentações", mais importante local de reza dos judeus.

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