Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Pálidas atuações começam a pesar contra Gabriel Jesus na seleção

Atacante, que ainda não marcou na Copa do Mundo, sabe que tem a sombra de Firmino às suas costas

Leandro Silveira, Marcio Dolzan, enviados especiais / Sochi, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2018 | 00h00

A precocidade vista em Gabriel Jesus para se tornar ídolo do Palmeiras, conquistar seu espaço no Manchester City e ser titular da seleção brasileira ainda não o ajudou a brilhar na Rússia. Atacante mais jovem a vestir a camisa 9 do Brasil na história das Copas, com 21 anos, o jogador não exibiu nos três jogos que a seleção disputou o futebol que o fez conquistar a confiança de Tite desde a sua estreia em confronto com o Equador pelas Eliminatórias Sul-americanas. Na ocasião, ele marcou dois gols no triunfo por 3 a 0 em Quito. Por suas pálidas atuações, ele começa a ficar incomodado com o jejum e sabe que tem a sombra de Firmino às suas costas.

+ Seleção brasileira tem reservas eficientes, mesmo em 'emergência'

+ Osorio, de torcedor a treinador do México e agora rival do Brasil

O atacante tenta manter a tranquilidade. “Estou muito focado, sei que a camisa da seleção tem muito peso, com grandes referências no futebol. Você vai ser questionado pela falta de gols, mas acho que venho fazendo boas partidas, tirando a primeira na Copa. Quero ajudar com gols, mas, se eles não saírem, vou ajudar de outra maneira”, disse, após o triunfo por 2 a 0 sobre a Sérvia, em Moscou.

Tite continua a defendê-lo. “Artilheiro vive de fazer grande jogo. Por vezes, a bola terminal surge para ele. Futebol é assim”, comentou o treinador. No entanto, ele reconhece que Firmino merece jogar. “Uma das coisas que mais doem é deixar jogador de qualidade fora, como o Firmino”, admite.

Na Rússia, Jesus ainda não emplacou, como mostram as estatísticas oficiais da Fifa. Elas revelam que o atacante não conseguiu acertar o rumo do gol, só tendo finalizado duas vezes na competição, sendo ambas para fora, número considerado muito baixo para um centroavante. Além disso, cometeu quatro faltas e ficou três vezes impedido.

 

Os números confirmam um Gabriel Jesus bem diferente do que encantou Tite e o Brasil, com letalidade, velocidade e boas atuações coletivas. Antes do início da Copa, eram dez gols marcados em 17 jogos disputados com o técnico, o que o fez não ter a titularidade ameaçada nem mesmo após Firmino concluir melhor a temporada 2017/2018 do futebol europeu.

A avaliação, inclusive, era de que a “sombra” do jogador do Liverpool lhe fazia bem, pois aumentava a competitividade. Mas, na Copa do Mundo, Gabriel Jesus tem aparentado certa ansiedade na cara do gol. Contra a Sérvia, até foi mais participativo do que em jogos anteriores, mas perdeu chances claras e até atrapalhou alguns dos ataques da equipe brasileira.

Assim, caso seja mantido e não consiga reagir no mata-mata, Jesus pode ter sua posição ameaçada. O técnico já testou até uma formação sem o atacante em treinamento preparatório para o duelo com a Sérvia, com a entrada de Fernandinho. E utilizou Firmino, saindo do banco de reservas, nas duas rodadas iniciais da competição.

De qualquer forma, Gabriel Jesus e Tite se apegam ao desempenho tático em sua defesa. E, nesse aspecto, o atacante até tem feito a sua parte, como ao participar do lance em que Philippe Coutinho abriu o placar no difícil triunfo sobre a Costa Rica. E também abrindo espaços na defesa da Sérvia ao se deslocar e permitir o avanço livre de Paulinho, para colocar o Brasil em vantagem na partida de quarta-feira em Moscou.

O atacante, inclusive, tem ajudado bastante na recomposição defensiva, também dando um descanso a Neymar, e até tendo ocupado a lateral-esquerda enquanto Filipe Luís não entrava em campo para substituir o lesionado Marcelo no último jogo. “As pessoas nem sempre observam, mas sempre fui bom taticamente, desde a época do Palmeiras”, diz.

Ainda assim, em uma função em que o Brasil já contou com a letalidade de Vavá, Jairzinho, Romário e Ronaldo em outras Copas, a expectativa é para que os gols de Gabriel Jesus comecem a aparecer contra o México, ainda mais que, pela primeira vez desde 1974, a seleção terminou a primeira fase da Copa sem um gol de centroavante.

 

DEBATE: Gabriel Jesus já convenceu na Copa do Mundo?

SIM

JAIRZINHO*

Respeitando a todos os outros jogadores da seleção brasileira que estão no banco, é preciso preservar uma escalação com onze que possam dar a resposta esperada dentro de campo. E a resposta está vindo. O Brasil está ganhando. Está classificado. Como é que vai mudar? Não se pode mexer naquilo que está dando certo.

Para a sequência de jogos, agora depois da fase de grupos, o elenco precisa ter confiança e estabilidade. E o Gabriel Jesus tem a total confiança do Tite pela sua qualidade, e isso é importante. 

As atuações dele têm sido boas. Ele está ajudando e criando oportunidades na frente. As conclusões é que não estão sendo efetivas por enquanto, mas acho que ele está contribuindo e não só lá na frente, mas também na marcação. Acharia incorreto Tite mexer numa peça tão importante como é ele, que é veloz, tem habilidade e poder de decisão. Tudo acontece normalmente dentro de uma competição. Não tem como depositar toda a responsabilidade do time em um outro jogador. No Neymar, por exemplo. O grupo todo trabalha. Philippe Coutinho tem sido deslumbrante, o Willian vai se acertar, e o Gabriel Jesus é questão de tranquilidade para ele ter chances de ajudar o Brasil a alcançar seu objetivo.

*CAMPEÃO MUNDIAL COM O BRASIL NA COPA DE 1970

NÃO

DADÁ MARAVILHA

Eu acho que o Gabriel Jesus tem de continuar no time como titular, mas meu recado para ele é: artilheiro tem de fazer gol. Centroavante sem gol morre de fome.

O Firmino é um bom jogador, mas vejo o Jesus já mais encorpado à equipe que o Tite montou para brigar pelo hexacampeonato na Rússia. E o Tite é um grande treinador, que vai dar conta dessa situação tranquilamente. 

No jogo passado (vitória sobre a Sérvia por 2 a 0), para mim, o Gabriel Jesus teve uma excelente atuação. Mas meu conselho é que, a partir de agora, ele se preocupe ainda mais em fazer gols. Ele está querendo ajudar os companheiros, ajuda na marcação, mas goleador não vive sem gols. Não adianta ele fazer uma ótima partida se, ao final dela, não tiver balançado as redes.

E eu falo isso com propriedade. Eu era o Dadá Maravilha. Eu precisava fazer gols. Não adianta, às vezes, até salvar um gol em cima da linha, dar carrinho pela direita, pela esquerda... Eu precisava dos gols, ou seria questionado sempre. E o Jesus também. Se não fizer gols, o conceito dele cai. Ele jogou bem, mas já está sendo criticado. E isso acontece justamente porque a grande pergunta que se faz para ele é: “cadê o gol?”.

*CAMPEÃO MUNDIAL COM O BRASIL NA COPA DE 1970

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.