Palmeiras ainda está com um pé atrás

A goleada por 5 a 2 sobre o Vasco esfriou a crise palmeirense, mas ainda foi insuficiente para acabar com as desconfianças sobre o time. Nem mesmo o técnico Paulo Bonamigo pode se sentir totalmente seguro no cargo, apesar do excelente futebol mostrado pela equipe no segundo tempo, sábado à tarde, no Parque Antártica.Os dois próximos jogos (contra o Paysandu fora e contra o Corinthians) serão decisivos para as pretensões do Palmeiras no Campeonato Brasileiro e para seu treinador. Os próprios jogadores sabem que o clima ficou um pouco mais ameno, mas não o bastante para acabar com as cobranças. "Foi ótimo ter vencido o Vasco do jeito que vencemos. A vitória teve um gostinho especial, mas agora precisamos um jogo de afirmação, contra o Paysandu", avisa o lateral-direito Correa.O desafio é saber qual Palmeiras estará em campo em Belém do Pará: o time nervoso e inseguro que terminou o primeiro tempo perdendo para o Vasco, por 1 a 0, sob vaias da própria torcida? Ou o time guerreiro do segundo, comandado por Pedrinho, Juninho Paulista e Marcinho, que construiu a goleada por 5 a 2?"O segundo tempo contra o Vasco vai ser a cara do Palmeiras daqui para frente", aposta Bonamigo. "Um time que marca, que usa os dois flancos e privilegia a qualidade individual de seus jogadores."O jogo de sábado também mostrou que o Palmeiras sentia a falta de um maestro no meio-de-campo. A entrada de Pedrinho, no intervalo, mudou a cara do time. Na avaliação de Bonamigo, além de melhorar a qualidade do conjunto, o meia também foi o responsável pela ascensão dos outros jogadores. "O Pedrinho joga só por ele e ainda faz os outros crescerem. Por isso mesmo nós preparamos a sua volta com tanto carinho e cuidado", lembra Bonamigo.A esperança do técnico, a partir de agora, é a de que a equipe encaixe uma seqüência de vitórias. Bonamigo sempre disse que o grupo tinha capacidade para brigar pelas primeiras posições no Campeonato Brasileiro. Depois da vitória de sábado, convenceu-se de que tinha mesmo razão. "E não estamos longe disso. Basta jogar de uma forma simples e objetiva, marcando com força e atacando sem medo e com convicção, como fizemos no segundo tempo diante do Vasco."Da forma como Bonamigo enfrentou os repórteres, sábado, na sala de imprensa do Palestra Itália, ficou a certeza de que não sobrou praticamente nada daquele técnico que foi para a concentração, na sexta-feira, pensando em jogar a toalha. Os 5 a 2 sobre o Vasco não fortaleceram só o grupo. O resultado positivo afastou a enorme pressão sobre Bonamigo. Até o discurso do técnico mudou. "Com trabalho e com união, cada dia mais fortalecidos, podemos pensar alto", declara.A virada também fortaleceu alguns jogadores, especialmente Pedrinho. O meia, que vinha de mais um longo período de afastamento, virou unanimidade no Parque Antártica. O jogador aproveitou a oportunidade para dizer que está recuperado. "Os meus joelhos não têm nada. Só não voltei antes porque houve um erro de procedimento. Mas agora estou bem. Está vendo essa marca vermelha na minha perna? É queimadura de gelo, de tanto tratamento que fiz", disse Pedrinho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.