Ivan Storti/Divulgação
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Palmeiras chega a acordo com Sampaoli e fica perto de anunciar técnico

Técnico aceita reduzir pretensão salarial, e advogados analisam detalhes do contrato; saída do Santos ainda é imbróglio

Ciro Campos e Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2019 | 18h43
Atualizado 12 de dezembro de 2019 | 20h59

Em uma negociação difícil e arrastada, o Palmeiras deixou engatilhado um acordo com o técnico argentino Jorge Sampaoli. Na quarta-feira, o presidente do clube, Maurício Galiotte, foi até o Rio de Janeiro e se reuniu durante várias horas com o treinador no hotel Nacional, em São Conrado, zona sul da cidade. A expectativa é de que Sampaoli aceite a nova proposta financeira e acerte os detalhes de sua rescisão de contrato com o Santos antes de ser anunciado oficialmente pelo Alviverde.

Sampaoli teria aceitado reduzir sua pretensão salarial inicial para comandar a equipe, de R$ 2 milhões por mês para sua comissão técnica, que teria cinco integrantes, mas diretores do clube acharam o valor muito alto. Com isso, foi apresentada uma contraproposta ao treinador. O Palmeiras informou na noite desta quinta-feira que apresentou a oferta, discutiu vários temas e aguarda a resposta de Sampaoli.

Assim, em compensação pela redução no valor do salário oferecido, o Palmeiras poderá compensá-lo com bonificações por metas alcançadas – leia-se títulos que o clube deseja para 2020, em especial a Libertadores da América. O clube deseja contar com o novo treinador pelo menos até o final de 2021.

Com o entendimento no encontro, os advogados das duas partes analisam todos os itens do contrato antes da assinatura final do clube e do técnico. A oficialização deve ocorrer nos próximos dias, e a principal pendência é a rescisão de contrato do argentino no Santos.

No início da semana, o técnico e o clube alvinegro entraram em conflito sobre o pagamento da multa de 2,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 11,4 milhões). Os dois lados se reuniram na segunda e na terça-feira, mas não houve acordo e o clube publicou em suas redes sociais que o argentino havia pedido demissão. 

Segundo dirigentes santistas, o treinador teria pedido alto investimento em reforços, de pelo menos R$ 100 milhões, para continuar no comando do clube. O valor foi considerado alto demais para a equipe.

Sampaoli tinha contrato com o Santos até o fim de 2020 e afirma que não pediu demissão da equipe e, assim, não teria que pagar nenhuma multa rescisória. O argentino entrou com uma ação na Justiça contra o time da Vila Belmiro por conta do atraso nos depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Um dos desejos do técnico é contar com um elenco de primeira linha para trabalhar. O Palmeiras estaria disposto a investir cerca de R$ 100 milhões em novos jogadores para reforçar seu elenco, mas esse valor pode variar – o clube precisa, primeiro, vender alguns atletas para aumentar seu poder de compra.

O clube alviverde tem pressa para acertar com o técnico e avançar em seu planejamento para 2020. O Palmeiras está sem treinador desde a saída de Mano Menezes no dia 1.º de dezembro, após a derrota para o Flamengo por 3 a 1 no Allianz Parque, em jogo válido pela 36.ª rodada do Brasileirão.

Mesmo com a pressa, o Palmeiras não entrará em atrito com o Santos. Galiotte tem bom relacionamento com José Carlos Peres, mandatário santista. Os dois dirigentes conversam reiteradamente sobre vários assuntos relacionados ao futebol.

Sampaoli teve sua primeira experiência no futebol brasileiro neste ano, com o Santos. Em 65 jogos, o treinador obteve 35 vitórias, 15 empates e 15 derrotas, com 61,5% de aproveitamento. O time alvinegro terminou o Campeonato Brasileiro na segunda colocação, mas fracassou nos torneios de mata-mata: caiu na primeira fase da Copa Sul-Americana, nas oitavas de final da Copa do Brasil e na semifinal do Paulistão.

Novo diretor. Na última quarta-feira, o Palmeiras oficializou a chegada do novo diretor de futebol, Anderson Barros, que assinou contrato por duas temporadas após deixar o cargo de gerente de futebol no Botafogo. Ele vai ocupar a função que era de Alexandre Mattos, que estava no clube desde 2015 e que também foi demitido por Galiotte no dia 1.º de dezembro.

Além de ajudar na negociação com Sampaoli, Barros terá de encontrar clubes para uma série de jogadores que a diretoria não quer mais contar. O atacante Carlos Eduardo é um deles – ele tem ofertas de Athletico-PR, Bahia e Bragantino.  

 

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