Palmeiras confirma acordo com Pirelli

O presidente Mustafá Contursi tentou evitar a todo o custo demonstrar a sua satisfação publicamente com o acordo de patrocínio que fechou com a fabricante italiana de pneus Pirelli. Mas internamente, com os conselheiros do Palmeiras, o dirigente comemorou. Ele sabe que, além de haver ficado ainda mais respeitado dentro do clube, foi uma vitória pessoal no momento de profunda crise financeira que o País vive.Com tantos clubes tradicionais perdendo patrocínio, Mustafá convenceu os italianos a pagar US$ 2 milhões por ano para estampar o logotipo da empresa na camiseta do time. O acordo deve ser anunciado nesta sexta-feira e, nos próximos dias, haverá uma festa de lançamento - maior ou menor, dependendo de a equipe chegar à final da Libertadores, quando o time poderia estrear a nova camisa com o tradicional logotipo da Pirelli."Esse acordo é uma prova de confiança no trabalho sério com que o Palmeiras administra o futebol. É muito importante ter um parceiro com o potencial da Pirelli. Mas não fico mais orgulhoso pelo fato de muitos clubes neste momento de crise não contar com patrocínio e nós, sim.Estamos conseguindo fazer a nossa parte, mas o futebol brasileiro vive um momento crítico e as pessoas ainda não se deram conta. Não se pode ser amador ou irresponsável com o dinheiro de um clube grande", desabafava Mustafá nesta quinta-feira, em Buenos Aires.O acordo com a Pirelli demorou meses para ser fechado. Houve várias negociações. No início, a multinacional estava interessada em adotar a fórmula de co-gestão que marcou a passagem da Parmalat no Palmeiras. Só que os oito anos de convivência traumatizaram a diretoria do clube brasileiro. Da mesma maneira que choveram dólares e craques no Parque Antártica, os problemas se acumularam. O desgaste no relacionamento foi imenso."Co-gestão é uma fórmula de administrar o futebol que me parece ultrapassada. Já passamos por essa experiência com a Parmalat. Foi um sucesso, conseguimos vários títulos fundamentais, só que acredito que chegou a hora de aprimorarmos essa maneira de gerenciar o Palmeiras", resumia com palavras bem escolhidas, Mustafá Contursi.O que o presidente não pode dizer abertamente é que ele e a cúpula que administra o Palmeiras há nove anos consideram que o clube precisa ter autonomia no futebol profissional. E foi feito um trabalho diplomático para convencer os italianos. Nos times de base, até devem surgir novos projetos com a Pirelli.Por enquanto, a multinacional de pneus investirá US$ 2 milhões por ano pela publicidade na camisa. O contrato tem dois anos. As agências de publicidade Fisher/Justus e Law/Loducca ,que desde a semana passada ficaram responsáveis pela imagem, marketing e assessoria de imprensa do Palmeiras, tem planos revolucionários que podem ajudar o time. Foi feita uma proposta para os diretores da Pirelli na Itália estudarem.Para bancar a permanência de Alex até a Copa do Mundo de 2002, o meia se tornaria garoto-propaganda da Pirelli no Brasil. O dinheiro de cachê seria o de salário do atleta e o Palmeiras bancaria o reempréstimo com o Parma. O jogador aceita essa fórmula. No entanto, tudo tem de ser fechado rapidamente porque a diretoria do La Coruña está perto de comprar o atleta por US$ 15 milhões.Há ainda o sonho de Mustafá Contursi: o convênio de jogadores entre Palmeiras e Internazionale de Milão, clube que pertence à Pirelli. O intercâmbio não significa trocar Marcos, Arce e Lopes por Ronaldinho. Nada disso. As jovens promessas do Palmeiras poderiam ser levadas para a Itália para ganhar experiência. E o mesmo acontece com os juniores da Inter. Em vez de emprestar para qualquer outro clube europeu, eles viriam para o Palmeiras e voltariam quando estivessem prontos para a Inter. "Esse intercâmbio, se realmente acontecer, será maravilhoso para todas as partes", aposta Mustafá.Outro lado que agrada demais ao presidente palmeirense no acordo com a Pirelli é o fato que os italianos deixam de ter qualquer participação na venda de atletas. Ao contrário dos tempos da Parmalat, que investiu, mas lucrou demais às custas da ?vitrine? que foi o Palmeiras, nem se cogitou repartir os lucros de futuras negociações com atletas.Perguntado sobre se foi coincidência a italiana Pirelli suceder a italiana Parmalat, Mustafá foi irônico. "Nosso clube respeita as suas origens. Nos entendemos bem com os italianos. Mas dinheiro é bem vindo seja de onde for."

Agencia Estado,

07 de junho de 2001 | 18h54

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