Palmeiras consegue retomar seu caminho

O Palmeiras retomou o seu caminho e agora se arma para evitar o desastre de 2002. Mustafá Contursi, presidente do clube, não prometeu nenhuma medida de impacto. A prioridade é a renovação dos contratos na tentativa de manter a base do time que livrou o Parque Antártica do inferno.Foi um ano para ficar na história do clube e do futebol brasileiro, o resumo do Palmeiras na temporada 2003. O time emergiu das catacumbas depois do humilhante rebaixamento. Reconquistou seu lugar na Primeira Divisão no campo, um golpe definitivo nos dirigentes acostumados às viradas de mesas e outras sujeiras. E viveu uma comunhão com a torcida que há muito não se via.Até renascer na Série B do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras sofreu muito. No meio do caminho, alguns jogadores abandonaram o clube. Outros não aceitaram as decisões do técnico Jair Picerni e também foram embora. O barco ficou à deriva e a única saída seria investir nos jovens que acabavam de ser promovidos com o vice na Copa São Paulo de Juniores.Picerni tinha como princípio montar um time experiente mas se viu obrigado a recorrer aos garotos. Tomou a decisão depois da goleada (7 a 2) que o time sofreu do Vitória, em pleno Parque Antártica, pela Copa do Brasil. Foi uma noite que a instituição Palmeiras quase virou pó.Dali para frente, a atitude teria de ser diferente. Jogar na valentia e correria como manda o figurino da segundona. Os jogadores perceberam que, de outra maneira, o futuro seria sombrio. Picerni se escorou em Marcos, Daniel Magrão e Adãozinho, os mais experientes, e jogou todas as fichas nos jovens Lúcio, Diego Souza e Vágner Love."Foi uma linda história, já que todos os jogos foram jogos da nossa vida. Hoje, vejo o Palmeiras equilibrado, forte o suficiente para enfrentar as grandes equipes brasileiras", disse o técnico Jair Picerni, o primeiro do grupo que teve o contrato renovado. Picerni assinou compromisso com o Palmeiras até o final de 2004.O treinador lembrou que o time cumpriu com a sua obrigação . Um campanha invejável: em 35 jogos, acumulou 23 vitórias, nove empates, três derrotas, 80 gols a favor e 37 contra. Nas arquibancadas, a torcida fez a sua parte. Lotou o Parque Antártica. Fez dos sábados dias e noites sagrados.Tamanha paixão colocou o Palmeiras com a melhor média de público da Série B do Campeonato Brasileiro, chegando a 18.078 pagantes por jogo.No final da história, o grande vilão do rebaixamento, o presidente Mustafá Contursi, não deixou o poder como se especulava. Fortalecido com a ascensão do time bateu nos opositores."Tive de administrar a covardia de algumas pessoas, que usaram todos os meios para desestabilizar o clube. Mas eles se deram mal porque houve uma união geral e o Palmeiras mostrou que nunca deixou de ser grande", desabafou Mustafá ao repórter José Eduardo Savóia, uma semana depois de o time ter voltado à Primeira Divisão.

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