Palmeiras cumpre com sua obrigação

Time empata com o São Caetano e garante com antecedência de seis rodadas sua volta à elite

Luiz Antônio Prósperi, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2013 | 21h41

SÃO PAULO - Desde aquela tarde infernal de 18 de novembro de 2012, em Volta Redonda, o Palmeiras lutava para se reconciliar com a sua história. Rebaixado à Série B naquele dia ao sofrer o gol de Vagner Love, um de seus ex-ídolos perdidos no espaço, no empate (1 a 1) com o Flamengo, o Palestra contava as horas para voltar ao seu lugar de honra no futebol brasileiro. A angustiante travessia chegou ao fim no último sábado, também em tarde quente, com o empate sem gols diante do destemido São Caetano, no Pacaembu abraçado pela imensidão verde e branca.

O Palmeiras, enfim, é time de Série A, em honra à sua tradição encastelada na Rua Turiassu desde 1914. A volta ao grupo de elite poderia ter sido mais emocionante. Tudo conspirava a favor do Palestra. Estádio lotado de gente apaixonada pelo time. Homenagem aos ídolos do passado e ainda com os jogadores trajando o solene uniforme da seleção brasileira, apenas com a troca de escudos no peito. Tradução de uma tarde perfeita.

A missão nem era assim tão difícil. Bastava um simples empate diante de um adversário enfraquecido e habitante contumaz da zona do rebaixamento. Presa fácil. Começa o jogo e todo o mundo percebe que o Palmeiras deveria girar em torno de Valdivia, de volta ao time após cinco rodadas. Dos pés do chileno partiriam as melhores jogadas. E ele cumpriu muito bem com a sua obrigação. Faltou apenas seus companheiros, em especial Alan kardec e Vinicius, um pouco mais de lucidez para transformar em gols as jogadas criadas por Valdivia. Sem inspiração e até um pouco desligados do jogo, os dois sucumbiram diante dos marcadores.

Apesar a ineficiência de seu ataque e da falta de sintonia dos laterais, o Palmeiras esteve muito próximo de fazer dois gols. Não fossem os erros graves de Wilson Luiz Seneme e o time desceria aos vestiários no intervalo com a vitória parcial. O árbitro não marcou um pênalti claro em Vinicius e depois anotou um do goleiro Rafael Santos em Alan kardec, mas voltou atrás ao atender recomendação do bandeirinha Carlos Augusto Nogueira. Tudo o que Seneme conseguiu foi inflar a torcida de revolta e os jogadores de irritação. Os dois atos resumiram o primeiro tempo.

Na segunda parte do jogo, Gilson Kleina não reinventou o time. Preso à boa marcação articulada pelo técnico Pintado, Kleina demorou para trocar as peças e mudar de estratégia. Quando resolveu substituir Vinicius por Serginho, e mais tarde, Ananias por Ronny, o Palmeiras já estava entregue aos contra-ataques do São Caetano. O time do ABC não dava trégua e só era ameaçado com chutes de fora da área dos palmeirenses. Valdivia, que deveria fazer a diferença, parecia vencido pelo cansaço. O time não empolgava para frustração de pouco mais de 35 mil angustiados torcedores, ávidos por um mísero gol.

Ansiosa, a torcida deixou de empurrar o time. Aos poucos, os jogadores foram cedendo às evidências de que o empate estava de bom tamanho. Então era hora de contar o minutos.

CABISBAIXOS

Kleina ainda tentou dar gás ao time com Felipe Menezes no lugar do lateral Luis Felipe. Não deu certo. Aliás as três substituições não tiveram o poder de transformar o Palmeiras. Amontoados e sem saber que caminho seguir, os jogadores de Kleina diminuíram a pulsação. Impaciente e entristecida, apesar do acesso à Série A garantido, a torcida nem tinha força para cantar o hino do clube como faz em todos os jogos. Quando Seneme deu o apito final, não houve uma comoção no Pacaembu. Exaustos e alguns cabisbaixos, os jogadores foram deixando o campo sem ouvir o aplausos de reconhecimento de sua gente. O ritual da volta à Primeira Divisão, depois longínquos cinco meses, chegava ao fim. O sentimento geral no estádio era de que o Palmeiras não precisava nada disso.

HOMENAGEM

Antes de o jogo começar, o clube organizou uma homenagem para craques do passado. Casos de Valdir Joaquim de Moraes, Rosemiro, Alfredo, Amaral, Dudu, Edu Bala, Leivinha, Ademir da Guia, Edmundo, Evair, César Maluco e Marcos. Eles entraram em campo com a nova camisa do Palmeiras, verde e amarela, receberam o time atual e trocaram camisa com os atletas, que estavam com a tradicional verde. Os ídolos receberam placas das mãos do presidente Paulo Nobre. Valdir de Moraes, Dudu e Ademir da Guia estavam em campo na partida contra a seleção uruguaia em 1965, quando o Palmeiras jogou representando a seleção brasileira.

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