Palmeiras: Della Monica é o presidente

A eleição presidencial do Palmeiras terminou como nos últimos 12 anos, com vitória do grupo de Mustafá Contursi. Desta vez, porém, o mais forte político do clube preferiu dar lugar a Affonso Della Monica Neto, 68 anos, que conseguiu fácil vitória contra o oposicionista Seraphim Del Grande por 201 votos a 40, como já era previsto - 16 conselheiros anularam ou votaram em branco. O pleito, que começou por volta das 20 horas deste domingo e terminou por cerca das 23h, foi apenas a formalização de mais um triunfo de Mustafá.Embora tenha saído dos holofotes depois de seis mandatos, o dirigente seguirá com poder e forte influência sobre o novo presidente, seu amigo. Ainda será membro vitalício do Conselho de Orientação Fiscal (COF), como todos os ex-presidentes. A facção da situação fez também os quatro vices: José Cyrillo Júnior, Luiz Carlos Pagnotta, Luiz Augusto de Mello Belluzzo e José Angelo Vergamini.Della Monica, delegado de polícia aposentado, deixou claro, já no início do trabalho - tomou posse logo após a eleição -, que não adotará medidas muito diferentes das utilizadas pelo antecessor, que chegou a se inscrever, numa "chapa de segurança", mas retirou a candidatura antes da votação. O novo presidente vai dar seqüência à política pés-no-chão, sem grandes aventuras, como contratações de impacto.Quando perguntado pelos repórteres se daria um presente à torcida após a vitória, foi bastante cauteloso na resposta, como sempre fez Mustafá. "Preciso, primeiro, tomar pé da situação", declarou o dirigente, que posou para fotos antes mesmo do fim da votação.O novo presidente é, por sinal, muito parecido com o antigo em alguns aspectos. Procura evitar a imprensa e aparecer o mínimo possível na mídia. Por outro lado, não é considerado centralizador, característica elogiada até pelos oposicionistas. E sempre foi apaixonado por futebol, torcedor de carteirinha do Palmeiras desde jovem. "Ele é uma pessoa de diálogo e gosta muito de futebol", disse Del Grande, que aceitou tranqüilamente a derrota nas urnas. Mustafá, dizem os rivais, nunca foi um amante do esporte. Por isso, não teria dado tanta importância a contratações de medalhões. O dirigente nega.O pleito ocorreu de forma tranqüila, bem diferente de dois anos atrás, quando os protestos dos torcedores uniformizados tumultuaram a entrada do clube. "Sabíamos que o Della Monica ia vencer, o mais importante é que o câncer foi retirado", consolou-se Reginaldo Pereira, vice-presidente da Mancha Alviverde.Dos 300 conselheiros aptos para votar, 257 marcaram presença - oito a menos que em 2003. As ausências se explicam, principalmente, pelo fato de a eleição ter ocorrido num domingo à noite, motivo de reclamação dos oposicionistas.

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