Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Palmeiras deve quase R$ 115 milhões para seu presidente

Presidente deixa o cargo em dezembro, mas vai continuar como credor, pelos empréstimos feitos; dívida está equacionada

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2016 | 06h03

Paulo Nobre deixará a presidência no fim do ano, mas vai continuar a receber dinheiro do Palmeiras. No momento, o clube lhe deve aproximadamente R$ 115 milhões, mas a dívida já foi muito mais alta. Nos últimos quatro anos, o dirigente colocou pouco mais de R$ 200 milhões no Alviverde, de duas maneiras: uma parte utilizando seu nome como fiador em empréstimos bancários e outra com ele mesmo sendo o credor. 

Para quitar o débito com Nobre, o Palmeiras acertou duas formas de pagamento distintas. Na maior, de R$ 76 milhões, o montante é reduzido com o clube dando a ele 10% de sua renda bruta mensal. A outra, de R$ 38,8 milhões, é paga com um valor fixo de R$ 400 mil mensais. A maneira acertada para o pagamento foi aprovada em votação no Conselho de Orientação Fiscal (COF).

Em 2015, Paulo Nobre trocou os R$ 43 milhões dados ao clube para a contratação dos argentinos Tobio, Mouche, Allione e Cristaldo, do paraguaio Mendieta e do atacante Leandro pelos direitos econômicos dos atletas. Combinou, porém, que repassaria ao Palmeiras o lucro que obtivesse ao negociá-los.

Até o momento, apenas Cristaldo foi vendido. Paulo Nobre o contratou por R$ 8 milhões e o vendeu por R$ 10 milhões. Os R$ 2 milhões foram para os cofres alviverdes.

No primeiro semestre deste ano, Palmeiras e Crefisa entraram em atrito e a empresa deixou de pagar o patrocínio por três meses. Neste período, Nobre emprestou mais R$ 20 milhões, valor que foi ressarcido assim que as partes selaram a paz e a financiadora voltou a depositar o combinado. 

A eleição no clube ocorre dia 26 de novembro. Candidato único, Maurício Galiotte assume o cargo no dia 15 de dezembro e sua chapa será formada pelos vice-presidentes Genaro Marino, Antonino Jesse Ribeiro, Victor Fruges e José Carlos Tomaselli.

Presente e mais reforços contratados. Mesmo com o Palmeiras equilibrado financeiramente neste ano, o presidente Paulo Nobre continuou a ajudar nas contratações com dinheiro do próprio bolso. Ele emprestou mais R$ 14,5 milhões para as contratações do atacante Róger Guedes e do zagueiro Yerry Mina, mas neste caso, o retorno financeiro terá que ser negociável. 

O Palmeiras pagou ao Criciúma R$ 2,5 milhões por 25% dos direitos econômicos de Róger Guedes e R$ 12 milhões ao Santa Fe por Mina. Como a lei sobre direitos dos atletas alterou, Nobre não poderia abater a dívida e ficar com o “passe” dos atletas, pois apenas clubes têm esse direito agora. 

Assim, ficou acordado que ele negociará com o presidente da época em que os dois forem vendidos. Informalmente, foi acertado que Nobre apenas receberá o que foi investido e o lucro ficará para o Palmeiras, mas isso pode ser alterado.

Caso ambos sejam vendidos na gestão de Galiotte, atual vice-presidente e candidato único ao pleito, a tendência é que o acordo seja mantido. Mas, se a oposição estiver no poder, Nobre  pode ter maiores dificuldades em receber o valor.

Em meio a tantos empréstimos e negociações, o presidente decidiu dar um presente ao clube antes de deixar o cargo: um hotel, que está sendo construído na Academia de Futebol. A Ambev iniciou a obra, a Crefisa continuou, mas ambas empresas decidiram não investir mais no projeto. 

Assim, Nobre decidiu tirar do bolso mais R$ 5 milhões para completar a construção, sem cobrar qualquer coisa do clube. A previsão é que até o final do ano o hotel, que servirá como local de concentração para os atletas, esteja pronto e o clube possa utilizá-lo na pré-temporada de 2017. 

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